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Rádio como mídia política

30 jul

Texto e fotos: Leandro Melito (coordenação da cobertura)

Adalberto Piotto, Francisco Prado, Roseann Kennedy e José Maria Trindade

O rádio tem seu papel e importância específicos no contexto do jornalismo investigativo e a cobertura de eleições é uma situação emblemática de sua utilização. A jornalista Roseann Kennedy, repórter da  CBN, lembra que ele é “o veículo mais democrático e há um grande interesse dos políticos em utilizá-lo”.

Dois fatores em especial contribuem para que o rádio seja considerado a mídia mais democrática: o seu baixo custo, que faz com que praticamente toda a população  possua um aparelho e o fato de utilizar a linguagem verbal oral, ou seja, para ter acesso às mensagens por ele veiculadas o receptor não precisa saber ler ou escrever.

Roseann Kennedy

Durante a efervescência de 1922 no Brasil, esse meio surgia como novidade e foi amplamente utilizado pelo governo como propaganda do centenário de independência, uso que pode ser considerado o embrião do que hoje é conhecido como marketing político. Programas governamentais como a Hora do Brasil são outro exemplo da utilização política desse meio.    A falta de estrutura em algumas rádios permite que os políticos façam uso dessa mídia para veicular  propaganda , com o envio de material de campanha que são reproduzidos sem critérios na programação jornalítica dessas rádios.

Em período eleitoral, a propaganda dos candidatos é sempre estruturada em  saúde, trasnporte e educação. Francisco Prado, jornalista da Rádio Bandeirantes lembra  que é necessário avaliar o tempo gasto pelos candidatos no rádio em  “futuras políticas”, que na maioria das vezes não passam de promessas, e na explanação do seu plano de governo, que é algo concreto e factível de ser acompanhado e cobrado posteriormente.

José Maria Trindade

O rádio, assim como a televisão é uma concessão pública e possui legislação específica que controla a fala dos candidatos em período eleitoral . “Existe uma série de amarras na legislação para falar sobre os candidatos”, considera Prado. Para José Maria Trindade, jornalista da  Joven Pan, essas amarras fazem com que a campanha para as eleições presidenciais deste ano corram de forma secreta nos meios eletrônicos, apenas os impressos e a internet tem liberdade para noticiar a corrida eleitoral.

O jornalismo no rádio e as outras mídias

O jornalismo produzido para o rádio tem algumas peculiaridades em relação às outras mídias. Uma delas é a interatividade, com ampla participação dos ouvintes na programação. Prado considera a central de atendimento ao ouvinte a matéria prima do jornalismo em rádio. As reclamações sobre política, principal tema das ligações ao lado do futebol, estão sempre relacionadas a problemas cotidianos dos cidadãos, como saneamento básico e  buracos em ruas e calçadas.

Francisco Prado

Apesar de seu papel como ferramenta de comunicação democrática o rádio e seus profissionais sofrem alguns preconceitos, inclusive por colegas de outras mídias. “Existe uma interpretação equivocada de que o jornalista de rádio não escreve”, diz Prado. Em sua opinião isso ocorre devido ao desconhecimento da estrutura da redação no rádio por parte de alguns profissionais que atuam em outras mídias. Esses jornalistas erroneamente consideram  que os profissionas que atuam no rádio apenas reproduzem o noticiário já publicado em outros meios.  Roseann lembra uma situação em que a sala de imprensa de um  evento  não tinha mesas para o pessoal do rádio. Ao questionar a organização obteve como resposta “mas vocês só recortam e colam”.

Apesar de utilizarem com frequência o improviso em seus boletins, os  jornalistas de rádio sentam, redigem e lêem a matéria enquanto esperam o momento de entrar no ar. Após a chegada no estúdio a matéria passa pelo trabalho de edição, que também inclui redação.  A diferença em relação à mídia impressa é que no rádio o jornalista não pode dizer que “fulano disse algo”, tem que colocar a declaração gravada no ar.

A investigação no jornalismo

Adalberto Piotto

Quando se fala em jornalismo investigativo, vêm à cabeça de muitas pessoas uma operação cinematográfica. No entanto, o jornalista da  CBN, Adalberto Piotto lembra que a simples recuperação do histórico de um entrevistado, para lembrá-lo de forma contundente sobre o que disse anteriormente e questioná-lo sobre o porque ele não diz mais aquilo, é um bom exemplo de jornalismo investigativo, no caso uma investigação do passado.  “O jornalismo investigativo tem a função de esclarecer e contextualizar a situação relatada”, diz Piotto, mediador  do debate sobre a Cobertura de Eleições em Rádio. Ele recorda a fala de Dorrit Harazim na abertura do Congresso sobre a equiparação tecnológica entre os jornalistas nos últimos anos, que torna o talento o grande diferencial do jornalista.“O único ativo que sobrou no jornalismo é a credibilidade”, ressalta.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Cobertura de eleições em rádio

Adalberto Piotto

Francisco Prado

José Maria Trindade

Roseann Kennedy

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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