Cobertura de desastres naturais: tragédia no Haiti

30 jul

Texto: Clara Roman (2˚ ano – ECA-USP) / Fotos: Germano Assad

A palestra relatou a cobertura do terremoto no Haiti, ocorrido em 12 de janeiro de 2010. Os três palestrantes foram enviados especiais ao Haiti depois da tragédia. Foi marcante a troca de experiências e impressões, em um tom de diálogo, e como cada um viveu um momento diferenciado da cobertura.

Primeiramente Lília Teles, enviada especial da TV Globo , contou de sua experiência em Porto Príncipe nos primeiros dias após o desastre. “Uma vivência como essa não sai da gente. A gente fica completamente envolvida com aquilo.” Nessa fase inicial, as equipes de resgate procuram sobreviventes sob os escombros. Teles conta de dois resgates que presenciou e que viveu de maneira muito próxima. No país abalado, a dificuldade técnica para a cobertura, principalmente para TV era grande. Gerar a matéria e transmiti-la era um desafio diário. Quando a repórter conseguia, o Jornal Nacional já havia iniciado. A falta de estrutura fez com que a equipe optasse por fazer a narração corrida. Lilia andava pelas ruas e ia contando o que ia vendo, enquanto o cinegrafista gravava.

Palestrante Fábio Zanini

Palestrante Fábio Zanini

Fábio Zanini foi para o Haiti na segunda semana após o terremoto.  Ele foi escolhido para a tarefa  um pouco por causa de sua experiência anterior com cobertura internacional, sobretudo em países africanos e um pouco pelo acaso: Zanini trabalha na sucursal da Folha de São Paulo em Brasília. A FAB estava disponibilizando vagas para jornalistas  em um avião que sairia justamente da capital federal.Em sua apresentação, fez uma retrospectiva da cobertura da Folha no Haiti . Antes da tragédia, pouco se falava do país. Algumas poucas matérias esparsas, mesmo com a presença constante do exército brasileiro. Depois do episódio, o Haiti foi manchete do jornal durante 9 dias consecutivos. Aos poucos, houve a necessidade de variar as pautas e resgatar outros focos. Zanini destaca matérias sobre a diplomacia entre EUA e Brasil. Ele relatou os dilemas éticos que viveu. Naquele contexto, era muito difícil não se envolver. Além disso, era difícil ter uma visão imparcial do exército brasileiro, que os recebeu muito bem em sua base.

Por fim, Adriana Carranca, repórter especial do jornal O Estado de S.Paulo, relatou uma vivência completamente diferenciada. Ela foi sozinha ao Haiti dois meses depois do desastre. Na ocasião,  havia ido para um casamento na República Dominicana, que ocupa a mesma ilha que o Haiti. Se ofereceu para fazer essa cobertura posterior e o jornal concordou. Carranca já havia estado em outro países, como o Irã. Ela se especializou nesse tipo de cobertura. (confira mais relatos em blogs.estadao.com.br/adriana-carranca/).

Enquanto Zanini e Teles conviveram com muitos jornalistas e viram grandes equipes de ajuda em ação, Carranca encontrou um cenário bastante abandonado. Os jornais deixaram de considerar o Haiti interessante depois de um tempo.  Ela quase não viu ajuda humanitária nas ruas e o pouco que viu concentrava-se nas proximidades dos aeroportos ou circulava apenas para produção de material de divulgação. Não havia nenhum trabalho de reconstrução. Os escombros e corpos continuavam espalhados nas ruas. Não havia esforços para que a situação começasse a se resolver.

Os três comentaram o caráter intenso, marcante desse tipo de cobertura. O Haiti, especialmente. O país já encontrava-se em dificuldades estruturais. O terremoto foi mais uma tragédia. Os haitianos conseguiram se acomodar dentro do cenário de destruição e reconstituir uma vida, um tanto improvisada, morando em barracas, entre escombros, desviando-se de corpos, procurando ajuda.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Cobertura de desastres naturais: tragédia no Haiti

Adriana Carrancaadriana.carranca@grupoestado.com.br

Fábio Zaninifabio.zanini@grupofolha.com.br

Lilia Teleslilia.teles@globotv.com

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2 Respostas para “Cobertura de desastres naturais: tragédia no Haiti”

  1. Islania Lima julho 30, 2010 às 4:34 pm #

    Obrigada por me manter atualizado com as palestras aqui redigidas! estou muito feliz em poder acompanhar pelo site!

    Islania Lima
    Estudante de Jornalismo – Manaus – Amazonas

Trackbacks/Pingbacks

  1. Informação como um direito humano « Adriana Carranca - agosto 3, 2010

    [...] o resumo de uma das palestras de que participei no Congresso da Abraji, sobre a cobertura de desastres naturais/Haiti e sobre os demais assuntos discutidos no congresso, todos interessantíssimos e com a [...]

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