Como interpretar pesquisas eleitorais

30 jul

Texto: Danielle Denny (2º. semestre de Jornalismo no Mackenzie)/ Foto: Divulgação

Palestrantes Fernando Rodrigues e José Roberto de Toledo

Palestrantes Fernando Rodrigues e José Roberto de Toledo

Eu nunca fui entrevistado, será que as pesquisas de intenção de voto são inventadas? Apesar de essa ser uma dúvida recorrente entre os brasileiros, as pesquisas eleitorais são científicas. São realizadas com base em cálculos econométricos precisos, porém dada a magnitude do universo pesquisado (o Brasil todo, no caso das eleições federais), a probabilidade de uma pessoa estar entre a amostra de entrevistados (em torno de 2000 indivíduos) é muito pequena.

Há vários tipos de pesquisa: as tradicionais quantitativas percentuais; as qualitativas que mostram razões e expressões; os painéis, que analisam um grupo permanente de entrevistados para acompanhar mudanças de opinião; e o tracking, no qual um mesmo cidadão é ouvido diversas vezes, normalmente pelo telefone. As enquetes, ao contrário do que muita gente pensa, não são pesquisas, não têm base cientifica; são uma espécie de “o povo fala”. Nesse caso, são as pessoas que decidem se manifestar, não são procuradas pelo entrevistador como representantes de uma amostra de um universo previamente determinado. Em virtude disso, se o jornalista tiver de usar outra palavra para substituir pesquisa num texto, deve usar sondagem, nunca enquete.

O modelo brasileiro é considerado um “monstro” por estatísticos estrangeiros, segundo José Roberto de Toledo (ex-coordenador de cursos da ABRAJI). A principal diferença são as entrevistas feitas em pontos de fluxo (shopping de luxo, praças, entradas de favelas, tudo de acordo com o público que se quer rastrear). Quando bem feita, essa pesquisa brasileira reflete muito bem a realidade. Nas últimas eleições, as pesquisas de boca de urna superaram a meta de 95% de acerto, chegando aos 96%.

O jogral de sucesso entre Toledo e Fernando Rodrigues (presidente da ABRAJI) terminou com dicas a serem seguidas pelos jornalistas a fim de evitar erros de divulgação. Entre as mais importantes está a necessidade de sempre considerar a margem de erro, se a variação de uma pesquisa a outra foi dentro dessa faixa, evitar verbos como “cresceu”, “saltou”, “despencou”, “desabou” e preferir “foi de tanto para tanto” ou “oscilou dentro da margem de erro”.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Como interpretar pesquisas eleitorais

Fernando Rodrigues – frodriguesbsb@uol.com.br

José Roberto de Toledo – toledo@abraji.org.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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