Marxismo pode auxiliar na reportagem

31 jul

Texto: Mariana Queen e Clara Roman (2˚ ano – ECA-USP) / Foto: Leandro Melito

Palestrante Claudio Tognolli

Palestrante Claudio Tognolli

Cláudio Tognolli é uma figura que conseguiu conciliar a prática jornalística com a teoria. Durante sua vida, foi repórter da Folha de São Paulo e desenvolveu um trabalho acadêmico na ECA-USP. Assim, conseguiu criar uma metodologia para repórter, baseada em alguns eixos principais, expostos na palestra “Metodologia da reportagem.”

Tognolli selecionou seis casos que ocorreram em sua carreira para ilustrar as possíveis formas de atuação de um repórter. O tratamento das fontes se destaca no processo de apuração e também na escolha estilística na hora de fazer o texto. Ou se opta por “proteger a fonte até a última gota de sangue” no chamado off the records, ou por  dar indícios do local, da circunstância e da pessoa que passa a informação, conhecido nos Estados Unidos como deep background.

Uma das questões comentadas por Tognolli é a amizade com fontes. Até que ponto é possível se envolver com elas?  Ele conta que demorou para compreender que nem sempre essas relações são benéficas para seu trabalho, mas que encontrou uma estratégia para conciliar sua própria ética profissional com a fidelidade a seus contatos. “Eu sou jornalista 24 horas por dia. Quando uma fonte é amiga, quem tem que estabelecer o limite das confissões é o repórter”.

Além de explicitar casos práticos, Tognolli expôs suas pesquisas teóricas na área. O professor falou sobre os eixos acadêmicos que encontrou para nortear as posturas de um repórter: o positivismo, o marxismo e a fenomenologia.  Aplicado ao jornalismo o positivismo se relaciona com o conteúdo estatístico e organizado das matérias. Já o marxismo traz ao texto as contextualizações e relações de trabalho existentes nas histórias. A fenomenologia, nesse caso, aproxima-se do jornalismo literário, em que o real é discutido a  partir da poesia pessoal do autor.

Dentro do estudo, Tognolli criou a sua própria vertente. O jornalismo quântico diz respeito às infiltrações jornalísticas em que o repórter se transforma em uma personagem para chegar perto do alvo de sua investigação. Ele compara a situação a um termômetro frio que, ao medir um líquido quente, altera sua temperatura.  Com o repórter não é diferente. Uma vez jornalista, suas posturas e intenções com relação ao caso investigado mudam as nuances do contexto observado e futuramente relatado.

A palestra não se prendeu unicamente aos seus relatos. Ele recomendou alguns livros que em alguns momentos dialogam com seus próprios estudos. Entre as obras estão: Fama e Anonimato, de Gay Talese; Políticos do Brasil, de Fernando Rodrigues, e Berlim, de Joseph  Roth.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Metodologia da reportagem

Claudio Tognolli – tognolli@uol.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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