Muito além da competição

31 jul

Texto: Lucas Rodrigues (2˚ ano – ECA-USP) / Fotos: Divulgação

Nem só da cobertura de jogos e coletivas deve viver o repórter esportivo. A partir das histórias contadas pelos jornalistas Andrew Jennings e Fernando Molica, na mesa “Investigação em esportes”, ficou evidente a necessidade de se criar uma posição crítica diante das organizações e clubes esportivos, que, assim como em qualquer outro setor, podem praticar atos ilícitos.

Palestrante Andrew Jennings

Palestrante Andrew Jennings

Segundo Andrew Jennings, repórter britânico que conseguiu descobrir alguns escândalos envolvendo a FIFA, a melhor maneira de investigar as atividades desses grupos é conseguindo documentos que expliquem seu funcionamento. “Os documentos podem levar vocês ao coração das organizações que estão investigando”, disse. Para isso, contou que já obteve ajuda até de próprios oficiais da Federação esportiva.

Outro conselho de Jennings foi nunca desistir diante da falta de respostas durante o processo investigativo, e insistir sempre no que chamou de “guerra do e-mail”. Para ele, a própria recusa do investigado em responder às perguntas relativas ao fato pode resultar em uma matéria sobre o assunto. “Nós não aceitamos não como resposta”.

No Brasil

Fernando Molica enumerou alguns problemas que constantemente atrapalham uma cobertura mais investigativa de esportes no nosso país. De acordo com ele, o repórter brasileiro que vai cobrir o assunto não tem uma formação voltada para investigação. Além disso, explica que esses profissionais geralmente estão influenciados pela emoção natural em relação a algum time ou modalidade esportiva, o que impede uma visão mais crítica sobre o tema. “Nós não podemos lidar com a ideia de paixão”, afirmou.

Palestrante Fernando Molica

Palestrante Fernando Molica

Uma outra questão apontada por Molica é que o futebol, como maior exemplo, se tornou um grande negócio. Com isso, atétransmissoras de televisão e grupos da mídia passaram a ser sócios desse empreendimento, o que representa mais um obstáculo no interesse por uma abordagem diferente nos cadernos esportivos.

Para ilustrar uma forma simples de como a busca por informações desse tipo pode começar, Molica explicou que, para escrever a sua coluna desse domingo (1) no jornal “O Dia”, bastou apenas analisar os dados oficiais sobre os eventos esportivos que receberam patrocínio através de leis de incentivo fiscal, no site do Ministério do Esporte.

Segundo Fernando, as informações estão, diversas vezes, muito perto da gente. Apesar de ter admitido que, no Brasil, existem ótimos exemplos de reportagens investigativas no esporte, disse que ainda falta uma busca maior por um espírito crítico acerca dos fatos e um hábito de estabelecer sempre o que ele chamou de “lógica investigativa”.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação em esportes

Andrew Jennings

Fernando Molica – fmolica@hotmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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