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“Não existe jornalismo ambiental”

30 jul

Texto: Rafael Balago (4º ano – Mackenzie) e Ana Krepp (3º ano – Mackenzie)

A cobertura de temas ambientais não deve ser rotulada numa editoria, pois seus acontecimentos não estão isolados, e influem muito em todos os outros assuntos do jornal. Essa foi a principal mensagem do debate Como transformar a cobertura ambiental em um tema interessante ao grande público, que contou com as presenças de André Trigueiro e Daniela Chiaretti, e mediação de Marcelo Moreira, vice-presidente da Abraji e editor do RJTV, da TV Globo. “Jornalismo é contar histórias, você está falando de projetos de civilização, e de quanto podemos mudar a realidade”, definiu Trigueiro.

Assim, a saída é sempre destacar a importância que o fato representa: mesmo ligado ao ambiente, o acontecimento “ambiental” tem profundas consequências econômicas, políticas e para o dia-a-dia.  Trigueiro lembrou que matérias focadas no “Não faça” são chatas e não despertam a atenção do leitor. A saída é mostrar direto as consequências. “Ao jogar lixo na rua, aumenta-se o gasto público com a limpeza, dinheiro que poderia ser investido em melhores salários para médicos e professores.”, deu como exemplo o apresentador da Globo News.

Tanto ele quanto Daniela Chiaretti, repórter do Valor Econômico, contaram as diferenças da cobertura dos temas ligados ao ambiente. “O assunto é mais prazeroso e as fontes, mais confiáveis”, definiu Trigueiro. No entanto, é preciso cuidado. “Muitas vezes, o especialista tem dificuldade para explicar os temas com rapidez para o jornalista. Se você não entendeu, não tenha vergonha de perguntar de novo”, ressaltou.  Na hora de fazer a matéria, é muito importante evitar o didatismo (“não deixar o leitor se sentir burro”) e ter cuidado ao traduzir expressões e conceitos. “No melhor intuito você pode corromper a informação”, alertou o jornalista.

Daniela acredita que, ao tentar tornar mais compreensíveis os temas ambientais, corre-se o risco de optar por termos batidos. A palavra sustentabilidade não lhe agrada. “O conceito é outro, o uso do termo está desgastado “.

A repórter do Valor contou que suas matérias ambientais entram em diversas editorias, de Energia a Agronegócio. Ela destacou que o assunto ambiente costuma gerar imagens muito bonitas, que podem ser usadas para chamar a atenção do leitor, tanto no impresso quanto na TV ou internet.

Como fugir dos bichinhos fofos?

Durante o debate,  uma jornalista na plateia contou que quando leva pautas ambientais ao seu editor, ele pede que a reportagem tenha um ar mais leve, com animais “fofinhos” ou crianças que reciclam o lixo, por exemplo. Os palestrantes sugeriram que nestes casos vale usar argumentação sólida com a chefia, para mostrar a relevância de um  enfoque mais amplo, ou usar a parte dos comentários para passar outras informações que não conseguiram espaço na matéria principal.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Como transformar a cobertura ambiental em um tema interessante ao grande público

André Trigueiroandre.trigueiro@tvglobo.com.br

Daniela Chiarettidanichiaretti@uol.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da Unesco e da Oboré.
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