Archive | Avulsas RSS feed for this section

Cobertura recheada

1 ago

Por Mariana Queen e Clara Roman (2º ano ECA-USP) / fotos: Mariana Queen

Repórteres do futuro entrevistam Lowell Bergman

Repórteres do futuro entrevistam Lowell Bergman

Três dias de palestras, cerca de 60 textos publicados,  53 palestras e 2 cursos cobertos. Ao todo, 28 horas de trabalho alimentaram o blog (congressoabraji2010.wordpress.com/), o Twitter (twitter.com/congressoabraji) e o Flickr (www.flickr.com/photos/27051993@N05/). Numa parceria entre a Abraji e a  Oboré (empresa de comunicação popular), alunos de jornalismo participantes do Projeto Repórter do Futuro (reporterdofuturo.wordpress.com) ficaram encarregados da cobertura do maior evento de jornalismo investigativo do Brasil.

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI foi muito elogiado tanto por jornalistas de renome quanto por jovens que ainda estão no começo da carreira. Os estudantes que cobriram o encontro tiveram de mostrar agilidade e profissionalismo para produzir textos consistentes e informativos.  Depois das palestras, conversas com os conferencistas renderam boas entrevistas em vídeo que serão divulgadas neste blog depois de editadas.

A professora do Centro Universitário Metodista IPA e da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos) e diretora da Abraji Luciana Kraemer ficou responsável pela coordenação da cobertura do evento. Ela e o gerente-executivo da associação, Guilherme Alpendre, orientaram a equipe junto com Germano Assad e Leandro Melito, assistentes de coordenação. “A experiência foi recompensadora. Apesar do prazo apertado, foi feito um bom trabalho”, diz Germano.

Fernando Rodrigues e Luciana Kremer se despedem da equipe

Para que a cobertura fosse possível, os jovens jornalistas tiveram à disposição Universidade Anhembi Morumbi, onde aconteceu o evento. Durante o trabalho, o laboratório de informática ficou muito parecido com uma movimentada redação e deu sustento para a produção de textos, twittes e descarga das fotos tiradas pelos participantes.

A ABRAJI disponiblizou uma câmera fotográfica para os repórteres do futuro, que também usaram seus próprios equipamentos para as captações. “Conseguimos fazer as matérias, a organização foi boa e contamos com o apoio dos palestrantes, muito solícitos nas abordagens”, conta Ana Krepp, aluna de jornalismo do Mackenzie e participante do projeto Repórter do Futuro.

“Vocês fazem parte da história do jornalismo atual. Quem quiser ler sobre ela, vai ter que ler o que vocês escreveram durante o Congresso”, disse o jornalista Fernando Rodrigues, presidente da Abraji, ao se despedir da equipe e agradecer  o empenho de todos.

Agradecimentos: Fernando Rodrigues, Luciana Kraemer, Guilherme Alpendre e Veridiana Sedeh.

Expediente: Germano Assad, Leandro Melito, assistentes de coordenação. Repórteres: Ana Krepp, Alexandre Dall’Ara, Anelize Moreira, Clara Roman, Danielle Denny, Eduardo Nascimento, Juliana Maximiano Torres, Lucas Rodrigues, Mariana Queen, Marjorie Niele, Mayara Baggio, Mauricio Hermann, Patrícia Ogando, Rafael  Aloi Pascoal, Rafael Ciscati, Raísa Pascoal,  Rafael Carneiro da Cunha, Rafael Belago, Thiago Fuzihara Crepaldi e Wilheim Rodrigues.

Notas frias na Assembleia de Minas

31 jul

Texto: Alexandre Dall’Ara (2˚ ano – ECA-USP)

“Quero as mesmas condições do deputado”. Assim o repórter Thiago Herdy, do “Estado de Minas”, abordava as empresas que prestavam serviço para a Assembleia do Estado. Sempre se identificando como assessor parlamentar, com gravação de áudio escondida, Thiago buscava uma prova que confirmasse os indícios de corrupção apontados pelas notas de reembolso da verba indenizatória dos parlamentares.

Em 2001, com o escândalo dos supersalários, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais instituiu novas regras. Os salários foram diminuídos e foi criada uma cota de indenização para gastos dos deputados. Essas indenizações podem chegar a R$ 20 mil por mês, entre dez grupos de despesas, que vão de combustíveis até equipamento para escritório. Além disso, o valor é acumulativo, ou seja, o que não foi usado em um mês, pode ser usado em outro, contanto que no mesmo ano. Isso faz com que em alguns messes as indenizações ultrapassem os 20 mil estipulados.

As notas, que devem ser apresentadas para o parlamentar receber o reembolso, são todas divulgadas no site da assembléia com número de série, CNPJ da empresa, data da compra etc. A partir dessas informações, o repórter criou um banco de dados, com as notas de julho do ano passado até janeiro desse ano. Durante esses messes ele montou uma planilha com todos os dados repassados pela Assembleia.

Munido dos dados, compilados com a ajuda das colegas Alessandra Mello e Amanda Almeida, Thiago começou a identificar as empresas suspeitas, seja por emitirem notas seriadas, por serem as maiores fornecedoras, ou por terem emitido as notas de maior valor. A equipe passou então a apurar informações sobre essas empresas.

Com mais de R$ 680 mil em serviços prestados – quase 8% de todo o valor pago em indenizações – a Máxima Comércio Ltda. foi a empresa que mais chamou a atenção. Empresa da área gráfica, ela prestou serviço para treze deputados e emitiu 44 notas que pertenciam a séries numeradas. Mas isso não bastava pra a reportagem, era preciso uma informação mais consistente que demonstrasse alguma irregularidade. O repórter não conseguiu informações relevantes ao visitar o local passando-se por assessor parlamentar. “O Washington [dono da empresa] era muito esperto, ele logo percebeu o que eu era jornalista”. Entretanto, sabendo que a empresa terceirizava o custo de produção, Thiago conseguiu, com a gráfica que imprimia os serviços da Máxima para a assembléia, as notas de prestação de serviço. Elas somavam R$ 124 mil, ou seja, havia um lucro de 82% para a Máxima Comércio Ltda., o que claramente indicava superfaturamento.

Além desse caso, a equipe de repórteres achou um posto de combustível que dizia não conhecer o deputado e as notas apresentadas por ele; uma empresa de consultoria, responsável por notas no valor de R$ 67 mil, com sede no mesmo endereço do Eligê Futebol Clube; e outra gráfica, cujo dono declarou para o repórter que vendia notas aos parlamentares. Assim, as matérias criaram a série de reportagem Notas Frias S/A, publicada no Estado de Minas em Abril desse ano.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Notas frias S/A: bastidores de uma investigação jornalística sobre a assembleia legislativa de MG

Thiago Herdy – thiagoherdy@gmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Investigação jornalística sob pressão: de processos judiciais a risco de morte

31 jul

Texto: Clara Roman (2˚ ano – ECA-USP) / Foto: Fernando Serpone

Muitas vezes, o repórter tem que lidar com situações que o impedem o exercício da profissão livremente. Elvira Lobato e Ana Arana contam as suas experiências em relação a processos judiciais e a ameaças de morte que sofreram durante a carreira.

O caso de Elvira é recente e ligado à própria mídia. Desde a década de 90, a repórter do jornal Folha de São Paulo se especializou na cobertura de telecomunicações. A Rede Record era uma pauta constante.  Elvira realizou, nessa época, uma grande reportagem sobre empresas ligadas ao bispo Edir Macedo em paraíso fiscal. No final de 2007, ela realizou uma pauta relatando as dimensões do império construído pela igreja Universal. A matéria foi baseada em dados coletados em juntas comerciais e cartórios, com provas consolidadas.

Pouco tempo depois, Elvira começou a receber processos de tribunais de pequenas causas. Ao longo desses últimos dois anos, ela foi alvo de mais de 100 processos, de localidades distantes do país, todos de bispos da igreja Universal.  A maioria dos documentos tem o mesmo texto escrito, o que significa que houve uma coordenação central para as acusações. Os bispos reclamavam de terem recebido ofensas devido a matéria de Elvira Lobato.

Ana Arana contou um caso ocorrido quando trabalhava em um jornal nova yorquino. Ela e outra repórter mais jovem faziam uma reportagem sobre as gangues no bairro do Queens. Sua colega, por inexperiência, acabou se expondo muito durante o processo. Com o passar do tempo, Ana começou a perceber carros que a seguiam, pessoas espreitando na porta de sua casa e nas ruas. “É necessário ser paranóico, ”ela assume. Relatou suas impressões a redação, mas não foi escutada. Tentou a polícia, mas não fizeram nada. Finalmente,  quando conseguiu ajuda, informaram que a situação era bastante grave e que ela sofria risco de morte. Ela teve que mudar de emprego e cidade.

Outra situação que Ana comentou é o perigo constante que jornalistas mexicanos tem passado devido o forte controle que os cartéis exercem na região. O quadro está cada vez pior, com a expansão do crime organizado. A maior parte dos jornalistas opta por não falar mais do tráfico, apenas assuntos com menos implicações. O problema, segundo ela, é que o tráfico está infiltrado em todas instâncias, inclusive na própria imprensa.

As duas constataram a dificuldade de lidar com essas agressões. Elvira, por exemplo, foi pauta de uma série de reportagens da Record, colocando-a como inimiga dos fiéis da Universal. Ela, que até então nunca sofrera um processo, sentiu-se completamente vulnerável, pois as ações que recebera foram feitas por má fé. Mesmo com todo cuidado na publicação, ela ficou sujeita a grave exposição e acusações.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação jornalística sob pressão: de processos judiciais a risco de morte

Ana Arana

Elvira Lobato – elvira.lobato@grupofolha.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Jornalismo (in)discreto

31 jul

Texto: Lucas Rodrigues (2˚ ano – ECA-USP)

A discussão em torno da utilização de equipamentos como gravadores e câmeras escondidas, e o uso de falsa identidade por parte dos jornalistas, foram os temas da palestra “Métodos heterodoxos de apuração – infiltração e câmera escondida”. No debate, os jornalistas Eduardo Faustini , Luciana Kraemer e Tyndaro Menezes contaram um pouco de suas experiências e levantaram as principais questões sobre o assunto.

A apresentação de Luciana foi voltada para abordagem ética do emprego desses recursos. Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, a maioria das pessoas aprovam as reportagens investigativas, mas não é a favor de infiltração, câmeras escondidas, pagamento de informantes e fontes não identificadas. Para Luciana, o profissional que realiza esse trabalho, ou “é visto de maneira glamourosa, ou é muito criticado”.

A jornalista contou, ainda, que não é de hoje que essas técnicas são utilizadas. “Essa forma de se fazer jornalismo tem 125 anos”. Explicou, porém, que a diferença entre a época de William Thomas Stead, repórter que chegou a “comprar” uma jovem para denunciar um esquema de prostituição infantil, e a nossa era de equipamentos avançados, é apenas em relação à tecnologia.

Para ilustrar alguns conceitos sobre ética jornalística, Luciana apontou a teoria de dois profissionais da área. Caio Túlio Costa acredita que os jornalistas têm uma moral provisória, adaptada para cada situação, ao contrário da antiga definição de Cláudio Abramo, para quem os jornalistas devem ter a ética de qualquer cidadão; já Eugênio Bucci defende a ideia de que os repórteres seguem duas linhas de conduta: a utilitária, em que se pesam os benefícios e prejuízos a partir de determinadas ações, e a deontológica, que, baseada no imperativo categórico kantiano, analisa os fins de cada decisão.  Segundo Luciana, na maioria dos casos “a saída clássica para esses dilemas é o famoso ‘depende’”.

Na prática

Eduardo Faustini e Tyndaro Menezes, ambos jornalistas da TV Globo, defendem a utilização dessas práticas no jornalismo. Para Faustini, o telejornalismo é dependente da imagem, do áudio e do vídeo. “Televisão é visual”, disse. Enfatizou, entretanto, que mesmo assim, o uso desses métodos deve ser feito de modo responsável e com um objetivo, pois uma reportagem pode, mesmo que momentaneamente, melhorar uma situação. “A diferença do jornalismo investigativo é que investigamos para informar”, afirmou.

Faustini contou, também, o caso em que gravou clandestinamente dentro de uma base aérea na Bahia, para mostrar a destruição de alguns documentos sobre presos políticos da ditadura militar. Nesse episódio, optou por utilizar o tão controverso procedimento, mesmo com os incômodos da baixa resolução da imagem e dos possíveis processos que poderia receber, mas tudo em função do interesse público do fato. Para isso, atentou que é preciso avaliar a “necessidade de usar o equipamento no momento certo”.

De acordo com Tyndaro Menezes, no jornalismo você raramente está no acontecimento. E meios como a câmera escondida permitem vivenciar esses momentos. Para ele, algumas situações demandam o uso dessas técnicas, pois, de outra forma, seriam histórias impossíveis de se contar. Disse, porém, que a utilização de microcâmeras, por exemplo, deve ser o último recurso de qualquer reportagem.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Métodos heterodoxos de apuração – infiltração e câmera escondida

Eduardo Faustini faustini@tvglobo.com.br

Tyndaro Menezes tyndaro@tvglobo.com.br

Luciana Kraemerlukraemer@terra.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Para uma boa reportagem, os indicadores não bastam

31 jul

Texto e foto: Thiago Fuzihara Crepaldi (4˚ ano – Cásper Líbero)

Adriana Carranca define-se como uma jornalista social. Para ela, “todo o nosso trabalho deve ser voltado para a melhoria de vida da população”. O desafio atual é o de descobrir a melhor forma de cobertura dos programas sociais. “Os indicadores das pesquisas servem para o jornalista construir a sua pauta; na apuração é essencial que ele saia da redação”, disse.

Reconheceu alguns avanços no que diz respeito à fiscalização aos políticos, como a aprovação do Ficha Limpa, que já entra em vigor para esta eleição. No entanto, ainda no tema político – o qual está designada para cobrir, no jornal O Estado de S. Paulo –, criticou a falta de compromisso dos candidatos com suas campanhas: “A marca do mandato de Marta [Suplicy] como prefeita [de São Paulo] foi o CEU, sendo que essa proposta não apareceu em seu plano de governo. Ninguém estava preocupado com o plano de governo, nem os políticos e nem os cidadãos. Isso está se modificando. É a criação de uma nova cultura política – ainda que esteja no âmbito da fofoca política”.

Cobrou das universidades públicas uma participação maior na vida da população: “O mestrado ou doutorado de um aluno da USP é pago pela população de todo o estado. A Academia tem que retornar esse trabalho que foi feito; não podem ficar restritos às universidades, como se fossem um trabalho de inteligência”.

Entrando mais nas questões de programas sociais, ela disse que o jornalista que se dedica a esse tema precisa duvidar sempre dos números e dos especialistas. “Nunca há consenso na aprovação de um programa social. Sempre terá alguém que o acha ruim; outro que o acha mais ou menos e um outro que o acha muito bom. Além da divergência de opiniões, há também muitos indicadores que mascaram, que enganam, que contrapõem, que contradizem. Os números enganam bastante; são passíveis de várias interpretações.”

Para ilustrar, a jornalista deu um exemplo: um município com 100% das crianças em idade escolar matriculadas pode esconder uma realidade cruel. Uma alta mortalidade infantil somada com um bom secretário de Educação chegam a esse resultado. Ou seja, as crianças só estudam porque parte delas não chegou até a idade de se matricular –  morreu antes.

Sobre a reportagem “Dois Brasis”, que lhe conferiu o Prêmio Estado de Jornalismo em 2003, mostrando o abismo social entre a melhor e a pior cidade do país, tendo como base o índice de desenvolvimento humano, ela revelou uma curiosa observação: “A diferença na expectativa de vida da cidade mais rica para a mais pobre era de vinte e quatro anos. Na cidade mais pobre não havia velhinhos. Não tinha uma pessoa com cabelos brancos; todos morriam antes de chegar nesse estágio da vida”.

Adriana Carranca mantém um blog no Estadao.com, sobre direitos humanos.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Como fiscalizar programas sociais

Adriana Carranca adriana.carranca@grupoestado.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Maior desafio do jornalista é inventar o próprio emprego

31 jul

Texto: Danielle Denny (1º ano – Mackenzie) / Foto: Germano Assad

Jornalista Rosental Calmon Alves

Jornalista Rosental Calmon Alves

A crise de 2008 vem sendo aos poucos superada, contudo persiste uma crise estrutural. A revolução digital possibilita conectividade ubíqua e permanente, com impactos na ordem econômica, social, política e cultural. A mudança dos paradigmas da comunicação é apenas mais um desses aspectos da crise.

O impacto no modelo de negócio das mídias tradicionais é deletério. Afinal, processos revolucionários são caóticos e destrutivos. O antigo rompe mais rápido do que o novo e não é totalmente substituído, surge outra lógica. Leva um tempo para uma linguagem própria ser criada. Haja vista o exemplo do rádio que em seus primórdios era jornal falado.

Junto com as ameaças, surgem também oportunidades. A liberdade criativa é praticamente infinita. O empreendedorismo, louvável. E a oportunidade de compartilhar e participar, inédita.

Um exemplo de sucesso citado por Rosental Calmon Alves (Centro Knight para Jornalismo nas Américas) foi o nascimento de jornalismo sem fins lucrativos, como o realizado pelo jornal Texas Tribune (www.texastribune.org). Um venture capitalist em tecnologia financiou a fundação do jornal com 1 milhão de dólares e levantou mais 3 milhões entre amigos. O jornal contratou os melhores jornalistas pagando salários decentes e hoje em dia é administrado como uma empresa lucrativa. A única diferença é que o jornal não tem dono, então se sobrar recursos reinveste ou aplica. Talvez essa seja uma das possibilidades para o futuro.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Ameaças e oportunidades para o jornalismo investigativo na era digital

Rosental Calmon Alves – rosental.alves@austin.utexas.edu

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

A desmistificação da cobertura jornalística em Brasília

31 jul

Texto: Rafael Carneiro da Cunha / Foto: Marjorie Niele

Ao se falar na cobertura da política na capital federal, criam-se muitos mitos entre jornalistas e estudantes de jornalismo. Para desmistificá-los, Kennedy Alencar e Alon Feuerwerker deram uma palestra sobre como é fazer cobertura política em Brasília no 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

Alencar, repórter especial da Folha de S.Paulo e apresentador da Rede TV, contou que a cobertura da política nacional já teve diversos focos dependendo da época – como o viés econômico da década de 80 e do início dos anos 90. Além disso, deu dicas de como se relacionar com a fonte. “A fonte deve ser de confiança. Muitas vezes ela pede anonimato ou fornece informações em off. Isso dá uma segurança a ela”, afirmou.

Palestrante Alon Feuerwerker

Palestrante Alon Feuerwerker

Alon Feuerwerker, colunista do jornal Correio Braziliense também falou da importância de fontes confiáveis para o jornalista e da escolha delas para a reportagem. “Você não pode depender da informação somente de autoridades. É até melhor falar com pessoas que não ocupam um cargos tão alto, pois elas não escondem tanta informação”, disse.

Os dois ainda ressaltaram o problema de que muitos jovens jornalistas que desejam cobrir política querem fazer reportagens de bastidor e investigar esquemas. Eles acreditam que não é só disso que se sustenta o jornalismo político. “Faço uma analogia com o futebol. Não adianta cobrir somente os bastidores e não cobrir o jogo”, disse Feuerwerker.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Cobertura política em Brasília

Alon Feuerwerker

Kennedy Alencarkennedy.alencar@grupofolha.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.