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Jornalistas desvendam máfia dos Diários Secretos

30 jul

Texto: Wilheim Rodrigues (2˚ ano – ECA-USP)

Informações que deveriam ser públicas, por lei, eram extremamente sigilosas e os diários oficiais do Paraná estavam inacessíveis havia mais de uma década. Era impossível saber quantos e quais funcionários compunham a Assembleia Legislativa do estado e, graças a tais segredos, criou-se uma rede de corrupção que envolveu boa parte dos parlamentares. Essa foi a realidade investigada pelos repórteres Karlos Kolbach e Kátia Brembatti, do jornal Gazeta do Povo, e também James Luiz Alberti e Gabriel Tabatcheik, da TV  Paranaense, ambas empresas do mesmo grupo comucacional.

Segundo Kátia, um dos méritos da cobertura desse escândalo que terminou com 33 pedidos de prisão foi a sua visão de todo: “A gente não queria fazer mais uma matéria sobre laranjas e trocas de favores. Queríamos desvendar o esquema completo, e não apenas acusar um ou outro deputado”.

Já para Karlos, o maior desafio foi escolher o desenrolar das investigações. O jornalista afirma que o quarteto possuía documentos capazes de comprometer agentes do Ministério Público, do Tribunal de Contas da União e até da Polícia Federal, mas não podia agir contra tantas instituições simultaneamente: “Se a gente acusasse todo o mundo, ficaria isolado. Precisávamos de fontes nessas esferas para enfrentar a pressão dos políticos”.

“Quem comprova se um ato foi ou não publicado se ninguém tem acesso aos diários?”, foi a pergunta que mais intrigou Gabriel antes de iniciar a publicação da série de denúncias.  Sempre que alguém acusava um parlamentar de ter “funcionários fantasmas”, bastava que ele forjasse um Diário Avulso (não publicado oficialmente e sem numeração) contendo dados negando tal informação. Para impedir isso, a primeira reportagem da série “Diários Secretos” explicou à população o mecanismo e denunciou seu recorrente uso no plenário.

Quando a discussão abriu espaço para perguntas, James foi questionado sobre os prováveis conflitos na interação entre o jornal e a TV na divulgação das informações. “Na verdade, criamos uma interação para divulgar as matérias simultaneamente nos dois veículos. O jornal da noite deu o furo e iniciou a série na TV. Na manhã seguinte, o impresso repercutiu a matéria e a ‘suitava’ (adicionava uma nova informação ao tema). À tarde, a televisão repercutia o impresso e, por sua vez, o ‘suitava’. Na exibição do jornal noturno, seria lançado o segundo episódio da série e o mesmo ciclo seria repetido durante a semana”, conclui o jornalista.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Diários Secretos – investigação na assembléia legislativa do PR

Karlos Kolbachkarlosk@gazetadopovo.com.br

Kátia Brembattikatiab@gazetadopovo.com.br

James Luiz Albertijames@tvparaense.tv.br

Gabriel Tabatcheikgabrielc@tvparaense.tv.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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