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Falta de observação enfraquece imprensa brasileira

30 jul

Texto: Danielle Denny (1º ano – Mackenzie) / Foto: Alexandre Dall’Ara

Palestrante Matinas Suzuki

Palestrante Matinas Suzuki

O diferencial do jornalista é justamente o relato do particular, do singular, de um acontecimento num determinado lugar, não é o abstrato e geral, dos historiadores e sociólogos. Para mostrar a devida grandeza do momento, ele precisa saber narrar.

Jornalistas brasileiros, entretanto, não sabem descrever ou porque não tiveram treinamento de texto ou porque fazem jornalismo desatento. “Jornalista investigativo, como os cachorros de caça, tem de ter faro”, diz Matinas Suzuki Jr. (Cia. das Letras). Nosso jornalismo é em grande parte declaratório – o jogador disse algo, o economista outra coisa – os repórteres não se sentem seguros para colocar no texto as suas observações.

Narrar como se fosse uma mosca na parede que fica observando tudo, sem ninguém saber que está ali é uma mera convenção. Da mesma forma, lide e pirâmide invertida são formas de construção de texto, criadas em determinado contexto histórico (invenção do telégrafo). Não significa que o texto com esse padrão seja mais verossímil. O jornalismo finge ser desprovido de subjetividade, contudo é impossível ser imparcial.

A afirmação “se é jornalismo não pode ser literatura”, e vice versa, portanto, é insignificante. Há um gênero híbrido. O Jornalismo Literário produz reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, de forma ética e humanizada, revelando um universo que geralmente fica oculto nas entrelinhas das matérias cotidianas.

O texto telegráfico informativo tem de conviver com outras formas de jornalismo, em que escrever bem seja um valor, em que a observação do jornalista tenha lugar. A mídia impressa, da forma que é escrita hoje, é cansativa, enfatiza Matinas. Seria mais interessante as notícias conterem mais calor humano. Por isso a popularidade da internet cresce ininterruptamente. O desafio, para os jornalistas contemporâneos, é criar novo valor para a notícia, ajudar o leitor a entender melhor a realidade.

O profissional não pode esquecer, porém, o “direito processual do jornalismo”, como define Matinas. É importantíssimo ter consciência do texto, desenvolver a percepção literária. Ao escrever, descobrir se aquela é a melhor maneira para contar a história.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Jornalismo Literário

Matinas Suzuki Jr. – matinas.suzuki@gmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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