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Congresso da ABRAJI complementa semana de palestras da Folha

1 ago
Foto de Mariana Queen

Danilo Bueno, 24, participante do treinamento da Folha no Congresso da Abraji

Por Clara Roman e Mariana Queen-2º ano ECA-USP/ foto: Mariana Queen

A turma do segundo semestre do Treinamento de Jornalismo Diário da Folha de S.Paulo também esteve no Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI. Desde a primeira edição do evento, a participação dos pré-trainees nas palestras faz parte das atividades da semana de treinamento do jornal.

Na opinião da editora de Treinamento da Folha, Ana Estela de Sousa Pinto, o congresso da Abraji é muito importante para a formação de jornalistas do país. “É o mais completo e reúne alguns dos melhores e mais experientes jornalistas brasileiros e estrangeiros”.

Segundo ela, o Congresso foi uma excelente chance para ampliar as oportunidades de aprendizado dos candidatos. Uma das linhas do treinamento da Folha é ter contato com jornalistas experientes, conhecer suas técnicas e aprender suas ferramentas de apuração.

“Acho que a ideia é que a Semana de treinamento não seja só de seleção, mas também de aprendizagem”, diz Danilo Bueno, estudante de jornalismo da ECA-USP e um dos concorrentes à vaga na Folha. Para Ana Estela, é importante que exista um contato com colegas de todos os lugares do Brasil. De fato, segundo Danilo, os candidatos se conheceram melhor durante o evento. “É legal se integrar com os outros. Tem candidato que vem desde Recife até o Rio Grande do Sul.”

Depois do Congresso, os candidatos escreverão um texto sobre as palestras assistidas. “Mas isso é mais para que reflitam sobre a experiência do que para avaliá-los. O objetivo principal é que eles aproveitem as mesas e os cursos”, diz Ana Estela.

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Homenageada, Dorrit considera a Abraji um embrião do jornalismo moderno

30 jul

Fernando Rodrigues, Dorrit Harazim e Rosental Calmon Alves na abertura do 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

Texto: Clara Roman (2º ano ECA-USP), Danielle Denny (1º ano – Mackenzie), Leandro Melito (coordenação da cobertura) e Mayara Baggio (3º ano – Universidade Metodista de São Paulo) / Foto: Leandro Melito

A jornalista Dorrit Harazim foi a homenageada na abertura do 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo na noite da quinta-feira, dia 29 de julho, no campus da Vila Olímpia da universidade Anhembi Morumbi. Ela, que participou da fundação da revista Piauí, deixou de ir a uma reunião de fechamento no Rio de Janeiro para estar presente na cerimônia. Dorrit considera a Abraji “um embrião do jornalismo moderno, que engloba outra visão, mais duradoura”.

Além de Dorrit, compunham a mesa o diretor do Centro Knight para Jornalismo nas Américas da Universidade do Texas,  Rosental Calmon Alves, o presidente da Abraji, Fernando Rodrigues, e o coordenador do curso de jornalismo da Anhembi Morumbi, Nivaldo Ferraz. O mestre de cerimônias do evento foi o diretor da Abraji Plínio Bortolotti.

O congresso foi estruturado nos moldes do realizado pelo IRE –  Investigative Reporters and Editors – com atividades simultâneas. Da mesma forma que a Abraji, que começou a se estruturar após a morte de Tim Lopes, o IRE surgiu após a perda de um jornalista e é uma das referências para a entidade brasileira.

Pessoas de quase todos os estados participam do congresso, com exceção do Amapá e Maranhão. José Roberto de Toledo, ex-coordenador de cursos da Abraji, avalia essa reunião como um dos principais pontos do congresso, pois possibilita o compartilhamento de informações em caráter nacional.

“Trata-se de uma reunião prática, a ideia é falar sobre um jornalismo das coisas não óbvias, que fogem das versões oficiais e do press release”, diz Rosental Calmon Alves. Ele considera o Congresso, que ocorre em ambiente acadêmico, uma importante iniciativa junto às universidades. “O fato de o jornalismo investigativo não estar pautado como uma disciplina não significa que professores e alunos não estejam preocupados com o tema”, ressalta.

O objetivo da Abraji é estimular a colaboração entre os jornalistas e promover o direito de acesso à informação pública a profissionais da área e cidadãos, explica Fernando Rodrigues. Atualmente, no Brasil, os documentos públicos podem ser mantidos em sigilo eternamente. A proposta é promover uma mudança  para que o país “deixe de ser uma democracia atrasada”, diz Toledo.

Dorrit Harazim, a repórter homenageada

“Repórter é a melhor palavra para denominar Dorrit”, diz Rosental Calmon Alves. Apesar de editora e revisora,  em seus 40 anos de profissão, ela nunca perdeu o olhar curioso e investigativo. Zuenir Ventura prestou sua homenagem a ela por escrito, em declaração lida por Fernando Rodrigues: “ela é minimalista, eu sou superlativo; ela é lide, eu sou nariz de cera” ele inicia. E encerra com uma frase que, em sua opinião,  seria certamente suprimida em uma edição feita por Dorrit: “gosto demais dessa gringa, do que ela faz e de como escreve”.

Otimista com relação ao jornalismo, ela não acredita em seu fim: “o termômetro da nossa eternidade na profissão é o grau de inquietação que os presidentes dos EUA têm em relação a vazamentos”, diz. Dorrit considera a sorte um elemento importante em sua carreira, como estar no Chile no dia do golpe militar que derrubou Allende em 1973 e em Nova York no 11 de setembro de 2001.

Entre casos recentes de bom jornalismo que ela citou está a matéria realizada pelo repórter da Rolling Stone, que traçou um perfil do general McCrhystal e abalou a opinião da sociedade americana em relação à guerra do Afeganistão e ao Wikileaks, que conseguiu 92 mil documentos sobre o conflito  e optou por mandá-los para  três veículos: New York Times, Guardian e Spiegel, para edição e publicação simultânea em um trabalho que privilegiou o compartilhamento da informação e não a disputa pelo furo jornalístico.

Em sua longa experiência na cobertura de Olimpíadas, que começou na edição de Moscou, em 1980, ela acompanhou as inovações tecnológicas que hoje chegaram a um padrão equânime, de forma que o aparato técnico não é mais o grande diferencial. Isso faz com que o peso da cobertura seja estabelecido pelo talento do profissional.

Uma armadilha presente no jornalismo investigativo, segundo Dorrit, é o excesso de denuncismo. Uma vez que a administração é falha, pouco funcional e muito corrupta, jovens jornalistas acham que é necessário fazer denúncias e descobrir escândalos para alavancar suas carreiras. Na opinião de Dorrit, o que realmente faz o jornalismo é a apuração detalhada e aprofundada.

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Os desafios de sediar uma Copa do Mundo

30 jul

Texto e foto: Thiago Fuzihara Crepaldi (4˚ ano – Cásper Líbero)

Palestrante Jorge Luiz Rodrigues

Palestrante Jorge Luiz Rodrigues

A mesa “Quais problemas as cidades terão de enfrentar para sediar a Copa?” aconteceu às 14 horas desta sexta-feira (30), segundo dia de Congresso. O jornalista Jorge Luiz Rodrigues foi quem iniciou a exposição. Correspondente do jornal O Globo na Copa da África do Sul – com experiência de cobertura de outros megaeventos esportivos -, o jornalista carioca projetou integralmente o seminário que o Diretor de Competições da FIFA, Jim Brown, enviou para os representantes de cada uma das12 cidades-sede brasileiras com todas as exigências que a maior federação esportiva do mundo faz para que um evento dessas proporções se concretize.

Os principais tópicos do seminário da FIFA, em ordem de importância, são: aeroportos, transporte local, acomodação em hotel, experiência da cidade, hospitalidade e, por fim, estádios. “Há uma tendência de todos acharem que só se deve concentrar os esforços para a construção de estádios, mas, na verdade, o estádio é a menor preocupação. Ele é apenas o produto final de um planejamento gigantesco”, explicou Rodrigues.

Em termos comparativos, A Copa da Alemanha (de 2006) obteve maior sucesso do que a Copa da África do Sul (2010), em todos os quesitos. Um deles, por exemplo, foi nas Fan fests (os eventos fora do estádio, de acordo com a definição da FIFA): na Alemanha o público chegou a 18 milhões, enquanto que na África do Sul foi de quase 5. Para a Copa de 2014, fez um alerta: “A primeira impressão é a que fica. Ao chegar ao aeroporto de Cumbica, com o quê você se depara? Esteiras que rasgam a mala, possíveis extravios, escada rolante apertada, enfim, um aeroporto saturado”. É uma realidade preocupante, pois São Paulo absorve 71% da demanda de voos internacionais, segundo dados de Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris e participante dessa mesa.

Carvalho iniciou sua fala resgatando uma célebre frase de um jornalista do Financial Times, Simon Kuper em artigo que fez tempos atrás: “Com uma Copa o país vai ficar mais pobre. E mais feliz”. O ex-ministro do Esporte e Turismo nos governos Itamar Franco e FHC elogiou o trabalho de planejamento que a Inglaterra está realizando para sediar as olimpíadas de 2012. “Eles estão pensando o intangível, aquilo que passa despercebido dentro das nossas prioridades e, na verdade, são fontes potenciais de renda. O Brasil precisa direcionar o seu olhar pensando o intangível”.

“Orgia de obras, não.” Ambos ressaltaram o compromisso da durabilidade das obras, que não podem ser feitas apenas para um megaevento; devem seguir um continuísmo para que posteriormente se possa fazer usufruto de toda a infraestrutura construída.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Quais problemas as cidades terão de enfrentar para sediar a copa?

Apresentação complementar (2014 FIFA World CupTM Seminar with Bidding Cities)

Jorge Luiz Rodrigues – jorgelr@oglobo.com.br

Caio Luiz de Carvalho – caio@spturis.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da Unesco e da Oboré.

Jornalismo e o social – Desenvolvimento humano e educação para jornalistas

30 jul

Por Mariana Queen

Para fazer uma boa reportagem não é só preciso talento, mas também saber onde procurar dados que deem sustento ao que se quer contar. Atualmente, o jornalista precisa se adequar a plataformas, cruzar dados e mexer em ferramentas específicas. Como exemplos apresentados no curso de Desenvolvimento Humano e educação para jornalistas ministrado no primeiro dia do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da ABRAJI, temos o Excel e o software do “Atlas de desenvolvimento humano”, completo mapa do desenvolvimento social disponibilizado no site do Pnud, o Programa Nacional das Nações Unidas para o Desenvolvimento (www.pnud.com.br).

“O curso tem a intenção e sensibilizar jornalistas para a cobertura social e de também dar ferramentas para isso. O foco tem de ser humano”, disse o palestrante Ricardo Meirelles (PrimaPágina).

Recursos tecnológicas e internáuticos não são os únicos que merecem a atenção dos jornalistas. O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano criado pelo Pnud) foi apresentado como um importante material a ser dominado e apropriado pelos profissionais da área. Afinal, os indicadores podem derrubar pautas encomendadas que muitas vezes contrastam temas de falsa relevância a partir do que mostram as estatísticas.

Os participantes fizeram exercícios no programa Excel para aprender a comparar e calcular os dados disponíveis nos sites do Pnud nacional (www.pnud.org.br) e internacional (www.undp.org). Os principais dados utilizados foram o atual ranking de IDH mundial, IDHs municipais do Brasil (Índice IDHM), expectativa de vida, condições de moradia dos municípios e grau de escolaridade .

“As pesquisas do IDH dão importância a certas demandas”, diz Meirelles confirmando a ideia de que uma boa cobertura pode colher resultados fundamentais para a criação e melhora de políticas públicas.

Ricardo Meirelles (ricardo@primapagina.com.br)

Descrevendo-se, em sua página nas redes sociais,  como um  “jornalista  com interesses em indicadores sociais e linguística”,  Ricardo Meirelles  explicita bem suas origens acadêmicas, sobre o que gosta de falar – palestrar- e em qual direção destina a sua carreira. Formado em Letras e Jornalismo, mestre em Teoria Literária pela Unicamp, é editor de revistas corporativas e dos sites brasileiros da ONU e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) – este foi premiado em 2008 pela sede internacional do Pnud em razão de seu material noticioso. Jornalista há 16 anos, Meirelles já deu cursos sobre desenvolvimento humano para instituições como Knight Center for Journalism in the Americas, Instituto Ayrton Senna e Abraji.  O jornalista  atua na Agência PrimaPágina especializada na terceirização da comunicação  e  da produção midiática de maneira estratégica.

Repórteres do Futuro cobrem o 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo

29 jul

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo começa nesta quinta-feira, 29, e a cobertura do evento, idealizada pela Abraji, estará a cargo de uma equipe de  23 estudantes vinculados ao  Projeto Repórter do Futuro da OBORÉ.

O grupo será orientado pela jornalista Luciana Kraemer e conta com a assistência de dois jornalistas recém-formados , Germano Assad e Leandro Melito, responsáveis pelo site-laboratóro.

Para  o presidente da Abraji, Fernando Rodrigues, a cobertura do Congresso por jornalistas do Projeto Repórter do Futuro é uma grande iniciativa tanto para a equipe envolvida quanto para o público em geral. “Os participantes terão oportunidade de ter grandes experiências de comunicação e o público, um relato de valor inestimável”, avalia ele.

Desde sua fundação, a  Abraji é uma das instituições do “Projeto Repórter do Futuro”, ao lado do IEA – Instituto de Estudos Avançados da USP, Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Cátedra  Unesco de Comunicação , Sindicato dos Professores de São Paulo e coordenação dos principais cursos de jornalismo de São Paulo.

Criado em 1994 com o nome “Repórter 2000”, esse trabalho procura aproximar cinco pontas soltas : professores realmente dedicados aos seus alunos, jornalistas com índole de professor mas que não dão aulas em faculdades,  especialistas nos grandes temas da vida econômica, política e social, estadistas e estudantes que realmente desejam ser bons profissionais.

A marca do Repórter do Futuro é a prática reflexiva, informa Sergio Gomes, diretor da OBORÉ e integrante da coordenação pedagógica do Projeto. Os cursos são modulados por temas – em dias e horários que não colidam com as tarefas escolares – assumem a forma de conferências de imprensa / entrevistas coletivas e são complementados por viagens de estudos e reportagens.

Da mesma forma que acontece agora com o 5º Congresso da Abraji, já  se realizou uma cobertura planejada e executada por estudantes durante o Fórum da Cidade, em 2007.

Alunos de alguns dos principais cursos de graduação da área atuarão na cobertura, oportunidade que vai ao encontro dos objetivos do Repórter do Futuro, de capacitar e incentivar futuros profissionais. Para Lucas Rodrigues, aluno do 2º ano do curso de jornalismo da Escola de Comunicações e Artes (ECA – USP) e um dos integrantes da equipe, “não existe exercício mais completo para um jornalista”.

Ele  trabalhou na cobertura do 7º Encontro Nacional de Pesquisadores em Jornalismo em 2009, organizado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBP Jor) e considera esse tipo de trabalho importante “pois desafia a pensar e organizar o texto em pouco tempo, assim como hierarquizar as informações”.

Uma estrutura de cobertura multimídia  foi preparada pela equipe. Além dos textos e fotos das palestras que alimentarão o blog, criado especialmente para o evento, entrevistas curtas em vídeo serão realizadas com os palestrantes e demais jornalistas participantes.

Os equipamentos utilizados serão aqueles que os alunos dispõem no dia a dia, que vão de máquinas fotográficas digitais e câmeras mini DV a celulares com recurso de vídeo e fotografia. Uma forma de experimentar na prática a cobertura multimídia com essas ferramentas. O twitter também será utilizado para divulgação das notícias postadas no blog e  disseminar informações breves, dos bastidores do evento, com mais rapidez.

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Congresso recebe número recorde de participantes

29 jul

Promovido pela Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo), o 5º Congresso de Jornalismo Investigativo é um dos maiores encontros brasileiros entre os profissionais da área. É uma grande oportunidade para troca de informações e experiências entre países diferentes, além de ser um espaço de formação para os estudantes, que somam quase 60% do total de inscritos. O jornalista Fernando Rodrigues, presidente da associação, acredita que a grande participação de estudantes demonstra o interesse pelo ensino de técnicas e de boas histórias contadas no Congresso.

Nos corredores, é possível encontrar as principais personalidades do jornalismo no Brasil e exterior. Profissionais que construíram suas carreiras por meio da investigação séria e aprofundada e inovaram ao incorporar as novas mídias na rotina de apuração. Segundo Rodrigues, os palestrantes foram escolhidos pela excelência do trabalho que desenvolvem. Destaca a participação de Aron Pilhofer, do New York Times, que tem trabalhado utilizando uma técnica ainda pouco difundida no meio jornalístico, o data-driven journalism, um banco de dados virtual com múltiplas opções de consulta.

Com 500 inscrições pela internet, a Abraji espera aproximadamente 600 participantes nos três dias do evento. É o maior número de inscritos desde a primeira edição do congresso, em 2005. Serão mais de 100 palestrantes, do Brasil, Reino Unidos, dos Estados Unidos, Espanha, México, Paraguai e Argentina, Quênia, que ministrarão 54 palestras e 18 cursos. Do Brasil virão jornalistas de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Ceará, Brasília e Amazonas.

Um trabalho que exigiu pelo menos um ano de planejamento e organização. A parceria e o apoio de instituições possibilitou que a Abraji – uma organização sem fins lucrativos – trouxesse estes palestrantes. Além da co-realizadora Universidade Anhembi- Morumbi, que disponibilizará seu campus, o congresso conta com o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism e da Unesco e o patrocínio de Claro e Tetrapak.

Além de convidar os palestrantes e organizar os horários e as mesas, a Abraji preparou a infra-estrutura para receber os participantes. O site disponibilizou hotéis com preços variados e próximos ao local do congresso, na Vila Olímpia. “A Abraji tem como objetivo melhorar a prática do jornalismo no Brasil, sendo o treinamento sua principal forma de atuação”, comenta Guilherme Alpendre, jornalista que atua na organização do evento. Ele acredita que hoje, o Congresso internacional de jornalismo investigativo seja o mais importante encontro de jornalistas feito para jornalistas do Brasil, e uma oportunidade rara para profissionais se aprimorarem dentro de sua área e trocarem experiências com jornalistas de outros veículos.