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Como cobrir a Administração Pública

30 jul

Texto: Rafael Ciscati (2˚ ano – ECA-USP) / Foto: Germano Assad

A Constituição garante a todo cidadão o acesso à informação pública. Apesar disso, cobrir a área exige trabalho árduo: “Eles vão sempre dificultar o a acesso à informação”, revela Evandro Spinelli, repórter da Folha de S.Paulo. Junto com Leandro Colon, repórter do Estadão, Evandro participou da palestra Cobertura da Administração Pública, no 5º Congresso de Jornalismo Investigativo promovido pela Abraji.  De acordo com os jornalistas, saber cultivar fontes, manter um bom banco de dados e priorizar o uso correto das informações públicas são passos importantes para atuar em um terreno ainda árido.

Palestrantes Evandro Spinelli e Leandro Colon

Trabalhando na sucursal do Estado de S.Paulo em Brasília, Leandro explica que as informações disponíveis em fontes públicas podem render uma pauta, ou mesmo uma notícia. Sites como o Portal da Transparência, páginas do Senado, Ministérios e do Diário Oficial devem ser acompanhadas diariamente. Mas nada disso substitui a apuração corpo-a-corpo: “Você vai ter de levantar da cadeira e ser repórter”. Afinal, a internet é um ponto de partida, “mas não é o meio nem o fim”.

Para Spinelli, é preciso conhecer a legislação: “Sem ela você não vai sequer conseguir ler o Diário Oficial”. Ter um bom papo também é importante – qualquer pessoa é fonte em potencial, e pode render boas pautas. Foi graças ao telefonema de um office-boy, por exemplo, que Spinelli soube da demissão de um dos principais secretários do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab : “De onde você menos espera é que saem as coisas. Por isso, converse com todo mundo, do senador à secretária”.

Falhas e Dificuldades

Segundo os jornalistas, cobrir a administração pública significa lidar com um espectro que varia desde grandes escândalos de corrupção, até medidas que impactam diretamente o bolso do leitor. Ainda assim, reportagens investigativas demandam tempo e dinheiro, nem sempre disponíveis para publicações menores – são raros os jornais que podem dispensar repórteres da pauta diária para trabalhar em uma investigação. “Se não te liberarem, você vai ter de ir tocando a pauta paralelamente”, explica Leandro. A dedicação dos repórter também interfere na qualidade do trabalho – “ Se você quiser trabalhar sete horas por dia e ir embora, a matéria não vai sair”, defende Spinelli.

Outra queixa refere-se à falta de acompanhamento daquilo que acontece em âmbito estadual. Como a esfera municipal é mais próxima do leitor, geralmente as administrações dos jornais negligenciam a cobertura dos governos estaduais.  Casos recentes, como o do governador José Roberto Arruda, poderiam ser mais bem apurados, e mais cedo, caso a imprensa estivesse presente – “Você inibe esse tipo de coisa. A imprensa tem esse papel fiscalizador”, sentencia Leandro.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Cobertura da administração pública

Evandro Spinelli – evandro.spinelli@grupofolha.com.br

Leandro Colon – leandrocolon@gmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.