Tag Archives: Copa do Mundo

Mergulho do jornalista em eventos esportivos

31 jul

Texto: Raissa Pascoal (4˚ semestre ECA-USP)

Louco por futebol e especializado no esporte, Paulo Vinícius Coelho, o PVC, cobriu a sua quarta Copa do Mundo este ano. Segundo ele, foi a cobertura que mais exigiu criatividade e, talvez, aquela em que menos se tenha conseguido perceber isso. A cobertura de megaeventos esportivos não se esgota em matérias sobre os jogos: economia, política, sociedade e cultura fazem parte do contexto das competições e também são pautas para os jornalistas.

PVC tem experiência como colunista e comentarista de Copas. Em 1994, trabalhou na revista Placar; em 1998, no Lance e, entre 2006 e 2010 trabalhou como comentarista na ESPN e como colunista da Folha de S.Paulo e do Lance. Para ele, cobrir uma Copa do Mundo requer um mergulho no entendimento daquilo que compõe o evento. PVC acredita ser importante que, durante a cobertura de megaeventos esportivos, um comentarista viva o país sede. “O meu compromisso é dar a informação completa sobre aquilo que está acontecendo dentro do campo. É isso que me faz um especialista”, explica.

O mergulho começa bem antes do início da Copa, cerca de 6 meses antes. Em todos os mundiais, PVC vem trabalhando com a produção de fichas de todos os jogadores de todas as seleções, com informações sobre sua altura, peso, equipes em que já jogou, participação nas Copas entre outras. Essas fichas servem como guias para a redação. “Quem tenta ser especialista de futebol não pode correr o risco de não saber coisas banais sobre Copa do Mundo”, explica PVC. Ele defende a manutenção de um banco de dados atualizados para se fazer jornalismo.

A diferença do trabalho de cobertura em jornal e revista é grande quando comparado ao trabalho de um comentarista na televisão. Segundo PVC, é muito difícil fazer um jornal ou revista segmentados em época de Copa do Mundo, porque a venda dos impressos cai mais de 20%. “Se por um lado no jornal segmentado você tem queda de venda, por outro lado, no canal segmentado sobe a audiência”, diz. Outra diferença é o tipo de trabalho que você tem sendo comentarista ou repórter. “Como comentarista, eu tinha o compromisso e o prazer de assistir a todos os jogos. Como repórter, você não vai assistir à Copa do Mundo, você vai cobri-la”, diz PVC. Ele confessa que, nesta Copa, viu quase todos os jogos, com exceção de quatro.

Em relação à próxima Copa, que será no Brasil, PVC acha que a cobertura começou. Já está em andamento a preparação para sediar o evento e casos de corrupção são fatos reais e que devem ser noticiados. “Eu entendo que 2014 é uma grande oportunidade que nós, jornalistas, temos. É uma oportunidade de fazer matéria”, diz PVC.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Cobertura de megaeventos esportivos: Copa e Olimpíadas

Paulo Vinícius Coelho

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Palestra esclarece a cobertura da Copa de 2010 pelos jornalistas brasileiros

30 jul

Texto: Mauricio Hermann (4º ano – USJT) / Fotos: Germano Assad e Fernando Serpone

Palestrantes Juca Kfouri, Bob Fernandes e Marcelo Moreira

Palestrantes Juca Kfouri, Bob Fernandes e Marcelo Moreira

Para discutir a cobertura do jornalismo brasileiro na Copa do Mundo de futebol de 2010, em campo os Jornalistas Bob Fernandes e Juca Kfouri palestraram no 5º Congresso de Jornalismo Investigativo da ABRAJI. Mais de 100 pessoas estiveram nas arquibancadas para ouvir os principais pontos sobre a estrutura dos veículos de comunicação na África do Sul e a relação de jogadores, dirigentes e do técnico Dunga com a imprensa.

Kfouri deu inicio à partida ao contar sua experiência de oito coberturas de Copas e destacou uma mudança principal ao longo dessa trajetória: “em 1982 eu assistia aos treinos ao lado do campo onde a seleção treinava. Mas, isso mudou mundialmente. Se pensarmos na inovação tecnológica houve um salto imenso para enviar as matérias para redação. Não sou saudosista e penso que hoje fazemos um jornalismo tão bom quanto há 40 anos”.

Fernandes dá seu toque de bola ao falar do grande número de profissionais responsáveis por cobrir a seleção e destaca o poder de controle de informação por parte de Rodrigo Paiva, assessor de comunicação da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Enquanto os jogadores davam entrevistas de 40 minutos, Paiva dava off´s de 1 hora e 15 minutos para mais de 30 jornalistas.  E essa blindagem não começou na Copa, mas sim quatro anos antes, declara Fernandes.

“Jornalista vai para cobrir, não para torcer”

No segundo tempo, as perguntas da plateia se concentram em polêmicas que envolveram Kfouri com o jogador Kaká e a relação entre Dunga e a imprensa. O jornalista afirma ser contra merchandisings feitos para promover a religião por jogadores. “Se Deus ajuda quem faz gol, nesse momento ele não ajuda o goleiro?”, questiona Kfouri.

Juca Kfouri autografa

Juca Kfouri autografa "11 gols de placa''

Frente à antipatia de Dunga, os palestrantes disseram que o técnico tinha razão moral, porque ele tratava todos os jornalistas da mesma forma.  No entanto, dizem ser complicado ele negar ou agir como agiu nas entrevistas porque isso envolve desgastes de sua imagem, da seleção e de patrocinadores.

Sobre a mística passada por Dunga, de que os veículos de comunicação eram contra a seleção, os palestrantes reagem: “jornalista vai para Copa para cobrir, não pra torcer. Nós jornalistas não torcemos contra. Eles [Dunga e assessoria de imprensa da seleção brasileira] acham que não devíamos publicar algumas notícias porque iríamos prejudicar o trabalho da equipe”, diz Kfouri.

Nos acréscimos, os jornalistas destacaram a grande quantidade de trabalhos para a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas 2016 no Brasil e apontaram a grande demanda de informações aos veículos de comunicação. Eles explicaram que a questão envolve o jornalismo de observação em diversas segmentos além do jornalismo esportivo. E esse é o olhar para escrever as notícias.

Nas cobranças de pênaltis, Juca Kfouri marcou mais um gol ao autografar o livro “11 Gols de Placa”, de Fernando Molica – uma parceira entre ABRAJI e editora RECORD que reúne reportagens investigativas tratando do futebol do país.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Copa do mundo e Olimpíadas pelos olhos de quem já esteve lá

Bob Fernandes

Juca Kfouri

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Os desafios de sediar uma Copa do Mundo

30 jul

Texto e foto: Thiago Fuzihara Crepaldi (4˚ ano – Cásper Líbero)

Palestrante Jorge Luiz Rodrigues

Palestrante Jorge Luiz Rodrigues

A mesa “Quais problemas as cidades terão de enfrentar para sediar a Copa?” aconteceu às 14 horas desta sexta-feira (30), segundo dia de Congresso. O jornalista Jorge Luiz Rodrigues foi quem iniciou a exposição. Correspondente do jornal O Globo na Copa da África do Sul – com experiência de cobertura de outros megaeventos esportivos -, o jornalista carioca projetou integralmente o seminário que o Diretor de Competições da FIFA, Jim Brown, enviou para os representantes de cada uma das12 cidades-sede brasileiras com todas as exigências que a maior federação esportiva do mundo faz para que um evento dessas proporções se concretize.

Os principais tópicos do seminário da FIFA, em ordem de importância, são: aeroportos, transporte local, acomodação em hotel, experiência da cidade, hospitalidade e, por fim, estádios. “Há uma tendência de todos acharem que só se deve concentrar os esforços para a construção de estádios, mas, na verdade, o estádio é a menor preocupação. Ele é apenas o produto final de um planejamento gigantesco”, explicou Rodrigues.

Em termos comparativos, A Copa da Alemanha (de 2006) obteve maior sucesso do que a Copa da África do Sul (2010), em todos os quesitos. Um deles, por exemplo, foi nas Fan fests (os eventos fora do estádio, de acordo com a definição da FIFA): na Alemanha o público chegou a 18 milhões, enquanto que na África do Sul foi de quase 5. Para a Copa de 2014, fez um alerta: “A primeira impressão é a que fica. Ao chegar ao aeroporto de Cumbica, com o quê você se depara? Esteiras que rasgam a mala, possíveis extravios, escada rolante apertada, enfim, um aeroporto saturado”. É uma realidade preocupante, pois São Paulo absorve 71% da demanda de voos internacionais, segundo dados de Caio Luiz de Carvalho, presidente da SPTuris e participante dessa mesa.

Carvalho iniciou sua fala resgatando uma célebre frase de um jornalista do Financial Times, Simon Kuper em artigo que fez tempos atrás: “Com uma Copa o país vai ficar mais pobre. E mais feliz”. O ex-ministro do Esporte e Turismo nos governos Itamar Franco e FHC elogiou o trabalho de planejamento que a Inglaterra está realizando para sediar as olimpíadas de 2012. “Eles estão pensando o intangível, aquilo que passa despercebido dentro das nossas prioridades e, na verdade, são fontes potenciais de renda. O Brasil precisa direcionar o seu olhar pensando o intangível”.

“Orgia de obras, não.” Ambos ressaltaram o compromisso da durabilidade das obras, que não podem ser feitas apenas para um megaevento; devem seguir um continuísmo para que posteriormente se possa fazer usufruto de toda a infraestrutura construída.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Quais problemas as cidades terão de enfrentar para sediar a copa?

Apresentação complementar (2014 FIFA World CupTM Seminar with Bidding Cities)

Jorge Luiz Rodrigues – jorgelr@oglobo.com.br

Caio Luiz de Carvalho – caio@spturis.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da Unesco e da Oboré.