Tag Archives: jonas campos

Ausência do Estado contribui para violência na Amazônia

31 jul

Texto : Marjorie Niele  (2˚ ano – Faculdades Integradas Rio Branco)

Durante a palestra “Investigação do crime organizado na Amazônia e nas fronteiras do Norte do país”, o jornalista Jonas Campos, da TV Centro América, falou sobre violência e impunidade na Amazônia. Segundo Campos, essas práticas estão associadas à grilagem de terras e ao desmatamento ilegal da floresta amazônica e revelam a ausência do Estado na região.

Há 30 anos, o Estado do Pará é marcado por lutas de posse de terra e execuções de pessoas supostamente consideradas um obstáculo para os interesses de fazendeiros, interessados na expansão de criação de gados ou exploração ilegal de madeira, por exemplo. Em geral, as vítimas lutavam pelos direitos de seus associados ou seguidores. “Se não tiver Ministério Público bancando a denúncia, não dá para arriscar a vida”, disse Campos, que investigou o crime organizado no Norte do país.

Parte da exploração madeireira no Pará está atrelada ao crime organizado. Isso ocorre em grande parte pela ausência do Estado. De acordo com Roberto Paiva, o madeireiro muitas vezes faz a função de um prefeito, constrói estradas, distribui cestas básicas e oferece emprego à população.

“Há muitos artistas engajados em defender a floresta amazônica. Porém, antes de olhar para a floresta, é preciso olhar o povo. Imagina a vida social dessas pessoas que vivem no Pará, à margem da pobreza, eles não têm a quem recorrer”, disse Paiva, repórter da TV Globo.

Campos citou o exemplo do assassinato da Irmã Dorothy Stang, missionária americana naturalizada brasileira, que vivia em Anapu, no Estado do Pará. Segundo ele, o episódio foi mais um capítulo da história de violência, grilagem de terras, trabalho escravo e destruição que assolam a Amazônia. O jornalista contou que a missionária pediu socorro para entidades estaduais e federais, mas não recebeu atenção por suas denúncias. Stang apresentou ao então presidente Fernando Henrique Cardoso um projeto de desenvolvimento sustentável, o que foi considerado um obstáculo para fazendeiros que queriam derrubar a floresta para expandir seus negócios. “O curioso de toda essa história é que a irmã levou a uma delegacia local os nomes das pessoas que a ameaçavam, nomes dos fazendeiros e pistoleiros. Mas a polícia civil do Pará não agiu, não chamou estas pessoas nem para um depoimento”, afirmou Campos.

Segundo Paiva, as autoridades não costumam dar atenção para a questão vida, porque se trata de pessoas humildes e pouco esclarecidas. Para o jornalista, essas pessoas são os verdadeiros protetores da floresta, junto com os índios. Ele afirma que se hoje a floresta Amazônica continua de pé é graças a reservas indígenas.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação do crime organizado na Amazônia e nas fronteiras do norte do país

Jonas Campos – jonascampos@uol.com.br

Roberto Paiva – roberto.paiva@tvglobo.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.