Tag Archives: Jornalismo Investigativo

Jornalismo investigativo abre mão do glamour da TV

31 jul

Texto: Ana Krepp (3˚ ano – Mackenzie) e Mariana Queen (2˚ ano – ECA-USP)

A presença de palco de Eduardo Faustini e de seu colega de Rede Globo, Tyndaro Menezes, dominou a cena e fez a sala 714 pequena para as histórias de reportagens investigativas protagonizadas pelos dois ao longo de seus mais de quinze anos de atuação nessa área. “Ideal seria o auditório”, deixou escapar uma moça ao final da palestra. Seria mesmo.

As emissoras investem na segurança dos jornalistas, disponibilizam carro blindado, colete à prova de balas e tudo o que é necessário para garantir a vida de seus profissionais. Mas no dia 2 de junho de 2002 todo esse aparato não foi suficiente para salvar o jornalista Tim Lopes de uma morte trágica que mudou os rumos do jornalismo investigativo.

Na presença do filho de Tim Lopes, o também jornalista Bruno Nascimento, Faustini e Menezes lembraram emocionados a comoção pela morte do companheiro, o reconhecimento do trabalho de investigação pelos telespectadores e o movimento de união da imprensa que resultou no surgimento da ABRAJI: “Quando todo mundo achou que com a morte do Tim ia acabar o jornalismo investigativo, aconteceu o contrário: surgiu a ABRAJI, uma associação forte e inédita de jornalismo investigativo no Brasil”.

Os moldes da reportagem para TV sempre tiveram ares glamourosos, mas esse glamour não chega aos repórteres investigativos, que têm de esconder suas identidades ao ponto de não poderem comparecer a confraternizações e muito menos a premiações que reconhecem seus méritos.

Os jornalistas que optam por essa área em geral são homens; muitas mulheres não se arriscam às exposições e perigos diários. Faustini e Menezes arriscam não só a própria vida, mas também as de seus familiares, que já chegaram a receber ameaças de pessoas que foram denunciadas em reportagens investigativas.

E pra quem acha que o jornalismo investigativo está logo na esquina saindo da faculdade, Faustini dá a dica: “o jornalismo investigativo tem que estar no sangue, tem que te dar tesão pra você aprender na rua, porque a faculdade não forma um jornalista investigativo, forma apenas um jornalista”.

Filho de Tim Lopes emociona jornalistas e marca palestra com momento histórico

Bruno Lopes participa da palestra

Bruno Lopes participa da palestra

Em um momento emocionante, o público pôde testemunhar o encontro de Bruno Quintela do Nascimento (TV Globo), filho de Tim Lopes, com os palestrantes da mesa Investigação em TV, seus parceiros de emissora,
Eduardo Faustino e Tyndaro  Menezes.

Na hora do encontro, Faustino se retirou da sala por não conter as lágrimas. Não era para menos: o jornalista trabalhou ao lado de Tim Lopes durante 10 anos. Ele destacou a importância do profissional para a criação da ABRAJI e para o  reconhecimento do  jornalismo investigativo no Brasil.

Bruno Nascimento deixou ao público uma mensagem sobre o uso das micro-câmeras, destacando que a habilidade para saber usá-las começa nas simples conversas e abordagens que fazemos com as pessoas no dia-a-dia. Ele trabalha há 6 anos na TV Globo atuando na área consagrada pelo pai. Sobre a responsabilidade (ou peso) de ser filho de Tim Lopes, Bruno conta que onde trabalha poucos sabem de seu parentesco ou não fazem essa ligação. “Não uso o sobrenome Lopes, as pessoas não associam, além de que meu pai tinha o jeito dele de trabalhar e eu tenho o meu. Queria muito ter tido a chance de trocar uma idéia com ele sobre a nossa profissão”, conta.

Pela primeira vez no Congresso, o jornalista também mencionou a grandiosidade do evento organizado pela ABRAJI e, quando questionado, confessou que gostaria de fazer uma palestra em outra edição falando sobre suas experiências. “Seria uma honra, mas ainda tenho muito que aprender”, completa.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação em TV

Eduardo Faustini – faustini@tvglobo.com.br

Tyndaro Menezes

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Anúncios

Desafios da Reportagem – jornalismo em áreas de risco

30 jul

Texto: Rafael Ciscati e Raissa Pascoal (2º ano – ECA-USP)

“Nunca antes na história os jornalistas enfrentaram riscos tão grandes como agora”, é o que defende Rodney Pinder, diretor da International News Safety Institute (INSI). Segundo ele, os perigos se encontram não apenas em situações de guerra. A maioria das mortes ocorre durante a cobertura diária de questões como tráfico e corrupção.  Com a mediação de Marcelo Moreira, editor-chefe do RJTV da Rede Globo, Pinder ressaltou a necessidade de os jornalistas se preparem para enfrentar ameaças no trabalho na palestra “Práticas para diminuir os riscos da cobertura em áreas de violência”.

O Brasil é o 9º país mais perigoso do mundo para jornalistas. Segundo ele, no mundo, 9 em cada 10 casos de assassinatos de jornalistas jamais são levados a julgamento.  E os últimos anos foram marcados pelo agravamento dessas situações – enquanto, há algumas décadas, jornalistas eram necessários mesmo em zonas hostis para levar ao mundo as histórias que ali se passavam, hoje eles são considerados supérfluos. É mais simples para um grupo de insurgentes, por exemplo, publicar um vídeo no Youtube, do que esperar que um jornalista reporte suas posições.

Como consequência, muitos profissionais preferem mudar de área, passando a cobrir questões triviais, como celebridades, em prol de sua segurança. “Quem pode culpá-los?”, lamenta Pinder.

Isso não significa que os jornalistas não devem cobrir situações potencialmente perigosas: “Não sugerimos que ele não cubra, mas que esteja preparado para cobrir essas situações com segurança”, afirma Pinder. Segundo ele os profissionais têm de ser mais bem preparados e mais bem informados a respeito dos riscos em que se envolvem. Além disso, os empregadores têm por dever preparar seus repórteres, e protegê-los.

Angariando recursos junto à comunidade Internacional, a INSI  se encarrega de oferecer treinamento a jornalistas ou corporações de mídia. Já foram organizados treinamentos em São Paulo e no Rio de Janeiro, por exemplo. As dicas que Pinder dá aos jornalistas em seu curso incluem que eles não andem armados ou com grupos armados. “Andar armado implica que você está apto a atirar em alguém para conseguir a história. Também dá a entender que as pessoas que você vai encontrar são suas inimigas”, diz.

Acima de tudo, no entanto, o diretor da INSI acredita que a melhor proteção que um jornalista pode ter é ser confiável e honesto com as pessoas a sua volta, para preservar sua credibilidade como profissional.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Práticas para diminuir os riscos da cobertura em áreas de violência

Rodney Pinderrodney.pinder@newssafety.org

Marcelo Moreira

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.