Tag Archives: jornalismo literário

Perfil é voltar a contar histórias

30 jul

Texto: Ana Krepp (3º ano Mackenzie)

Um congresso de jornalismo investigativo dá a impressão de que somente serão abordados temas referentes à política e sua corrupção de praxe. Talvez te venha alguma outra coisa à cabeça, mas “Como fazer perfis” não virá, certamente.

Sérgio Vilas Boas abre sua palestra lembrando que qualquer maneira de apurar é investigação e que, portanto, o perfil é, também, desde que bem apurado e tudo o mais que a teoria do jornalismo pede, investigação.

O Perfil é sempre e basicamente sobre um indivíduo, não sobre empresas, grupos, animais. Indivíduo, sempre. E difere da biografia por se realizar em um período independente de duração, e não da vida inteira de uma pessoa. Outra diferença é que o perfil é preferencialmente sobre vivos, enquanto que a biografia é escrita, na maioria das vezes, sobre personagens que já morreram.

No processo de apuração e escrita de perfis, a relação entre o escritor e o perfilado é fundamental. Devem-se levar em conta a importância do perfilado, sua essência, o momento, suas opiniões, os episódios de sua vida e também as percepções do próprio escritor que o acompanhou.

O risco é, e sempre é, o de se deixar enganar por personagens que o perfilado faça questão de sustentar o tempo inteiro. No caso de figuras famosas, o risco é maior, a imagem está sempre ligada a uma publicidade real ou em potencial.

A história dos perfis no Brasil é escrita, literalmente, por grandes autores: José Hamilton Ribeiro, Narciso Kalili, Roberto Freire, Luiz Fernando Mercadante e Marcos Faerman.

O palestrante tem, entre seus livros publicados, títulos ligados à arte de escrever sobre outras pessoas: “Biografias e Biógrafos”, “Biografismo” e “Perfis e como escrevê-los”.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Como fazer perfis

Sérgio Vilas-Boas contato@sergiovilasboas.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Falta de observação enfraquece imprensa brasileira

30 jul

Texto: Danielle Denny (1º ano – Mackenzie) / Foto: Alexandre Dall’Ara

Palestrante Matinas Suzuki

Palestrante Matinas Suzuki

O diferencial do jornalista é justamente o relato do particular, do singular, de um acontecimento num determinado lugar, não é o abstrato e geral, dos historiadores e sociólogos. Para mostrar a devida grandeza do momento, ele precisa saber narrar.

Jornalistas brasileiros, entretanto, não sabem descrever ou porque não tiveram treinamento de texto ou porque fazem jornalismo desatento. “Jornalista investigativo, como os cachorros de caça, tem de ter faro”, diz Matinas Suzuki Jr. (Cia. das Letras). Nosso jornalismo é em grande parte declaratório – o jogador disse algo, o economista outra coisa – os repórteres não se sentem seguros para colocar no texto as suas observações.

Narrar como se fosse uma mosca na parede que fica observando tudo, sem ninguém saber que está ali é uma mera convenção. Da mesma forma, lide e pirâmide invertida são formas de construção de texto, criadas em determinado contexto histórico (invenção do telégrafo). Não significa que o texto com esse padrão seja mais verossímil. O jornalismo finge ser desprovido de subjetividade, contudo é impossível ser imparcial.

A afirmação “se é jornalismo não pode ser literatura”, e vice versa, portanto, é insignificante. Há um gênero híbrido. O Jornalismo Literário produz reportagens mais profundas, amplas e detalhistas, de forma ética e humanizada, revelando um universo que geralmente fica oculto nas entrelinhas das matérias cotidianas.

O texto telegráfico informativo tem de conviver com outras formas de jornalismo, em que escrever bem seja um valor, em que a observação do jornalista tenha lugar. A mídia impressa, da forma que é escrita hoje, é cansativa, enfatiza Matinas. Seria mais interessante as notícias conterem mais calor humano. Por isso a popularidade da internet cresce ininterruptamente. O desafio, para os jornalistas contemporâneos, é criar novo valor para a notícia, ajudar o leitor a entender melhor a realidade.

O profissional não pode esquecer, porém, o “direito processual do jornalismo”, como define Matinas. É importantíssimo ter consciência do texto, desenvolver a percepção literária. Ao escrever, descobrir se aquela é a melhor maneira para contar a história.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Jornalismo Literário

Matinas Suzuki Jr. – matinas.suzuki@gmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Criatividade no texto jornalístico

30 jul

Texto e foto: Patrícia Ogando (2˚ ano – ECA-USP)

 

Palestrante Celso Falaschi e público

Palestrante Celso Falaschi e público

 

Parece estranho escrever uma matéria sem recursos literários depois de assistir por mais de uma hora e meia a uma apresentação que mostrou o quanto eles podem colaborar na qualidade de um texto jornalístico e  atrair o leitor. Por isso talvez o melhor seja a liberdade de mesclar os estilos.

Na palestra Criatividade no texto jornalístico, o presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL), Celso Falaschi, um senhor simpático de barba branca e pele rosada, entusiasta da apropriação de recursos da literatura em determinados textos jornalísticos, apresentou  fundamentos teóricos do jornalismo,  pesquisas e exemplos do jornalismo literário, ou narrativo – como também é classificado.

Logo no início da apresentação, o professor respondeu a um provável questionamento que intriga alguns estudantes que querem retratar a realidade: “é possível ser criativo no Jornalismo? Sim, é”. Criatividade, nas palavras de Falaschi é “gerar uma nova ideia, um produto novo. Pode ser um carro, uma roupa… Um texto”. E em sua apresentação, atropelada pelos minutos do relógio, fez uma defesa apaixonada do jornalismo literário,  contrariando um universo de editores, que, segundo ele, resistem em mudar os projetos editoriais de suas redações, rejeitando esse modelo.

Dentre as diversas dicas de como ser criativo nos textos, Falaschi apresentou algumas bem pontuais:  utilizar mais a transcrição de diálogos,  se possível recorrer ao humor, “não é escrachar, mas trazer um pouco do jeito de ser do nosso povo”; construir perfis psicológicos humanizando a matéria, mostrando quem são os personagens. Também sugeriu  apurações  mais aprofundadas, bem como utilizar digressão para contextualizar melhor a história relatada. Em suma, utilizar as ferramentas da literatura. No que se refere ao estilo, o senhor da cara rosada frisou que esses jovens jornalistas precisam utilizar figuras de linguagem e a voz autoral. Este último recurso  foi exemplificado por meio  de um texto  em que Cremilda Medina, no Jornal da USP (2003) dá, com genialidade, voz ao Rio São Francisco.  Por outro lado, alertou  para o risco de errar a mão:  alguns textos acabam escapando para a ficção e aí deixa de ser jornalismo. Na apresentação, Falaschi também tentou mostrar que a redação criativa no jornalismo narrativo incorpora  elementos das demais classificações do jornalismo, como o  informativo, opinativo, interpretativo e investigativo.

Para mostrar que o jornalismo literário é também financeiramente interessante, Falaschi apresentou uma pesquisa realizada pela Readership, nos Estados Unidos, que revela que os leitores preferem os textos jornalísticos que apostam nesse modelo. E, quando esse é cativado, as vendas das publicações aumentam. Esses textos levam o leitor ao contato com a arte, mas sem deixar de estarem ligados ao real, segundo ele. Ainda sobre o efeito que produzem, disse que essa leitura, por ser mais eficiente, eleva o nível de cultura e produz, naturalmente, uma transformação no indivíduo. Essa constatação contraria certos acadêmicos que, de antemão, nos cursos de jornalismo, pretendem romper com os desejos de mudar a realidade que muitos estudantes têm.

Sobre a imprensa brasileira, Falaschi disse que as publicações do país apresentam mais que jornalismo informativo (dando como exemplo o jornal Zero Hora e o Correio Braziliense). Mas ainda assim, na maioria dos meios de comunicação as matérias são piramidais, a informação é distribuída no texto, colocando a mais importante no inicio.

Muito além desse texto foi falado pelo simpático Celso Falaschi e ainda mais ficou para ser dito. Cerca 20 slides foram cortados pelo tempo. Esperamos que ele tenha organizado sua palestra conforme os padrões da pirâmide invertida, por mais irônico que isso seja. Mas de fato o que fica de tudo isso é a vontade de se aprofundar mais nesse assunto e a compreensão de que o Jornalismo Literário merece, de fato, uma pós graduação. Para os que se interessarem, a ABJL oferece o curso, veja no site da associação: www.abjl.org.br

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Criatividade no texto jornalístico

Celso Falaschi celso@abjl.org.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.