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Um país fora do mapa, mas com muita influência no mundo

30 jul

Texto: Rafael Carneiro da Cunha (2˚ ano PUC-SP) / Foto: Germano Assad

Palestrantes Carlos Wagner, Mauri Konig e Graciliano Rocha

Palestrantes Graciliano Rocha, Mauri König e Carlos Wagner

“Ali [a tríplice fronteira] se tornou um país que possui as suas próprias lendas, músicas, linguajar e valores, ou seja, ganhou uma identidade cultural”. É o que afirmou o jornalista Carlos Wagner se referindo à fronteira do Brasil com Argentina e Paraguai em uma das palestras do 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo, que aconteceu na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

O repórter especial do jornal Zero Hora participou do debate “Investigação do crime organizado nas fronteiras do Sul e Centro-Oeste do país”. Estavam presentes ainda o repórter especial da Gazeta do Povo e diretor da Abraji Mauri König e Graciliano Rocha, repórter da sucursal de Porto Alegre da Folha de S.Paulo. Os três relataram suas experiências nos limites de terras brasileiras com a de outros países na América do Sul, principalmente na tríplice fronteira. Essa região é uma das maiores produtoras de maconha do mundo e um entreposto da cocaína vinda dos Andes. “Isso começou a acontecer entre as décadas de 80 e 90 e no fim dos anos 90 a região começou a ser ocupada também pelas organizações criminosas do Sudeste como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho”.

Wagner explicou o quanto é complicado trabalhar no local devido à falta de liberdade da imprensa. Imprensa essa que muitas vezes é controlada pelos contrabandistas e traficantes. Ele enfatizou que para fazer coberturas jornalísticas na região é preciso realizar um estudo muito aprofundado da área. “Eu também já passei por situações bem complicadas. Até apanhar eu apanhei, mas eu era muito ingênuo na época. Hoje digo que tem que ter paciência, sangue frio e por fim, ver o que tem que ver e cair fora”, lembra König.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação do crime organizado nas fronteiras do sul e centro-oeste do país

Mauri König – maurik@gazetadopovo.com.br

Carlos Wagner carlos.wagner@zerohora.com.br

Graciliano Rocha – graciliano.silveira@grupofolha.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Perfil é voltar a contar histórias

30 jul

Texto: Ana Krepp (3º ano Mackenzie)

Um congresso de jornalismo investigativo dá a impressão de que somente serão abordados temas referentes à política e sua corrupção de praxe. Talvez te venha alguma outra coisa à cabeça, mas “Como fazer perfis” não virá, certamente.

Sérgio Vilas Boas abre sua palestra lembrando que qualquer maneira de apurar é investigação e que, portanto, o perfil é, também, desde que bem apurado e tudo o mais que a teoria do jornalismo pede, investigação.

O Perfil é sempre e basicamente sobre um indivíduo, não sobre empresas, grupos, animais. Indivíduo, sempre. E difere da biografia por se realizar em um período independente de duração, e não da vida inteira de uma pessoa. Outra diferença é que o perfil é preferencialmente sobre vivos, enquanto que a biografia é escrita, na maioria das vezes, sobre personagens que já morreram.

No processo de apuração e escrita de perfis, a relação entre o escritor e o perfilado é fundamental. Devem-se levar em conta a importância do perfilado, sua essência, o momento, suas opiniões, os episódios de sua vida e também as percepções do próprio escritor que o acompanhou.

O risco é, e sempre é, o de se deixar enganar por personagens que o perfilado faça questão de sustentar o tempo inteiro. No caso de figuras famosas, o risco é maior, a imagem está sempre ligada a uma publicidade real ou em potencial.

A história dos perfis no Brasil é escrita, literalmente, por grandes autores: José Hamilton Ribeiro, Narciso Kalili, Roberto Freire, Luiz Fernando Mercadante e Marcos Faerman.

O palestrante tem, entre seus livros publicados, títulos ligados à arte de escrever sobre outras pessoas: “Biografias e Biógrafos”, “Biografismo” e “Perfis e como escrevê-los”.

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Como fazer perfis

Sérgio Vilas-Boas contato@sergiovilasboas.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

A reportagem deve começar a ser escrita antes do desastre

30 jul

Texto: Rafael Carneiro da Cunha (2º ano – PUC-SP) / Foto: Germano Assad

Palestrante Italo Nogueira

Palestrante Italo Nogueira relata suas experiências com desastres naturais

Soterramento de hotel em Angra dos Reis, janeiro de 2010. Deslizamentos de terra em Niterói, abril de 2010. Desastres naturais que estamparam as capas dos jornais no primeiro semestre deste ano, fenômenos que podem voltar a ocorrer quando o próximo temporal inundar as cidades. Para transmitir a informação à sociedade entra o trabalho do jornalista, que em situações como estas deve estar preparado e ser muito cauteloso.

Italo Nogueira, repórter da sucursal do Rio de Janeiro da Folha de S.Paulo é um desses profissionais especializados que trabalham na cobertura de desastres naturais. Ele esteve presente no 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo e contou suas experiências na cobertura dos desastres ocorridos na Baixada Fluminense, em Angra dos Reis, Niterói e na cidade do Rio.

“Uma matéria desse tipo começa a ser escrita meses antes de o desastre acontecer. É importante conhecer a história do local. Em caso de chuvas, por exemplo, você já pode ter em mãos um mapeamento das áreas de risco, o projeto de prevenção de deslizamento da área e até entrevistas com moradores do local”, explica.

Nogueira acredita que com esses dados em mãos, o jornalista está pronto para fazer uma reportagem de uma tragédia ambiental. Ele ainda alertou para alguns empecilhos que o profissional pode encontrar como as famílias abaladas que não querem dar entrevista e a dificuldade de não se envolver com a situação.

O jornalista da Folha ainda apresentou alguns de seus trabalhos. Um deles chamou a atenção do público por ser uma reportagem que fugia um pouco aos padrões do jornalismo tradicional. “Escrevi essa matéria no caso de Angra. No primeiro dia dei a notícia com informações objetivas do fato, assim como os outros veículos de comunicação. Para não repetir o que tinha dito nos dias anteriores, escrevi no terceiro dia sobre um poema que foi encontrado enquanto eram feitas as escavações”, lembra.

Cobertura de desastres naturais: chuvas, enchentes e deslizamentos

Italo Nogueira italo.nogueira@grupofolha.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

O tempo das mídias sociais

30 jul

Texto e foto: Alexandre Dall’Ara (2˚ ano – ECA-USP)

Palestrante Marcelo Tas

Palestrante Marcelo Tas

“Você é ‘obrigado’, como jornalista, a tomar conhecimento, ter curiosidade, não rejeitar [as redes sociais]”. É o que concordaram os palestrantes Marcelo Tas e Maurício Stycer na mesa do 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

A palestra destacou principalmente o Twitter como instrumento de grande destaque para o jornalismo.  A ferramenta pode ser muito eficaz em gerar debates públicos, como lembrou Stycer sobre o caso da polêmica em torno de declarações de Danilo Gentili, consideradas preconceituosos. A polêmica levou o próprio comediante a questionar sobre o politicamente correto no humor e sobre o racismo na sociedade, trazendo esses temas ao debate público.

O microblog também pode pautar o jornalismo. Muitas informações e furos são dados na rede, em alguns casos pelas próprias fontes. Maurício cita uma reportagem que fez ao constatar a grande repercussão dos tweets postados pelos integrantes do CQC – programa da TV Bandeirantes apresentado por Marcelo Tas. Em 2009, entre as 10 pessoas com mais seguidores, quatro eram integrantes do CQC.

“O furo acabou e nem virou manchete”

A frase do jornalista Xico Sá, lembrada por Tas, se torna exemplar com a rede. O caso da seleção Holandesa, que divulgou sua escalação na copa antes dos jornalistas e da FIFA, evidencia isso. A corrida pelo “furo” se torna a corrida pelo retuitar, e portanto, perde importância. Nas palavras do apresentador do CQC: “dar ‘gostosinho’´ traduz o q o leitor quer . Não importa quem deu 1º mas sim quem deu melhor”

Maurício enfatiza seu esforço em ir além da cobertura em tempo real. “Para o profissional que já tem cabelo branco é difícil se acostumar com a idéia de que acabou o evento, o jogo, seu trabalho some”. Por isso ele destacou seu trabalho em consolidar essa cobertura, fazendo textos para blogs ou portais.

Entretanto, o profissional não deve se prender a esses meios digitais e cair em obviedades. “Eu creio que o grande desafio do jornalismo é publicar coisas que não estão no Google”, provoca Tas. E lembra que o twitter não reflete o que pensa a media dos brasileiros, ele não reflete a opinião do telespectador de TV, por exemplo. Ele serve como um termômetro do que se pensa no momento, em um universo restrito.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

As redes sociais no jornalismo

Marcelo Tasrede@marcelotas.com.br

Maurício Stycermstycer@uol.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.