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Existe equilíbrio para a política na Internet?

31 jul

Texto: Juliana Maximiano Torres / Foto: Marjorie Niele

Palestrantes Bob Fernandes, Josias de Souza e Ricardo Noblat

Palestrantes Bob Fernandes, Josias de Souza e Ricardo Noblat

A preocupação com o aprofundamento do tema abordado na Internet sempre foi a principal preocupação quando o assunto é blogs políticos. De acordo com Josias de Souza, blogueiro político da Folha de S.Paulo, “as pessoas tendem a achar que devem escrever menos na Internet; eu sou avesso a isso”. Para ele, o importante é saber o que escrever.

Josias acredita que o jornalista não forma opinião: “Se jornalista formasse opinião, Lula não teria sido reeleito em 2005, depois do mensalão”. O equilíbrio está em dar voz a todos os candidatos e a todos os simpatizantes, isso faz com que o conteúdo gerado seja claro, simples e acessível a todos.

Ricardo Noblat, responsável pelo Blog do Noblat, diz que seu compromisso é tentar escrever de forma deliciosa, e que sua única preocupação é ser fiel às normas do jornalismo. Para Noblat, a área de comentários deveria ser uma espécie de debate político, no qual os candidatos tivessem acesso às reais necessidades de seus eleitores, mas não acontece dessa forma. Devido à grande necessidade de expôr suas preferências políticas, os leitores acabam perdendo o limite entre o comentário e a ofensa.

Para os dois blogueiros e Bob Fernandes, editor do Terra Magazine, ser imparcial é quase impossível. O blog deve ter pluralidade em ano de eleição e deve ser referência em portais com assuntos políticos. Apenas 7% dos eleitores se informam sobre política pela Internet, e essa porcentagem deve receber uma informação de qualidade.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

O jornalismo em internet e blogs em ano eleitoral: a difícil busca do equilíbrio

Josias de Souza – josias@uol.com.br

Ricardo Noblat – noblat@uol.com.br

Bob Fernandes – bob_fernandes@terra.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Como interpretar pesquisas eleitorais

30 jul

Texto: Danielle Denny (2º. semestre de Jornalismo no Mackenzie)/ Foto: Divulgação

Palestrantes Fernando Rodrigues e José Roberto de Toledo

Palestrantes Fernando Rodrigues e José Roberto de Toledo

Eu nunca fui entrevistado, será que as pesquisas de intenção de voto são inventadas? Apesar de essa ser uma dúvida recorrente entre os brasileiros, as pesquisas eleitorais são científicas. São realizadas com base em cálculos econométricos precisos, porém dada a magnitude do universo pesquisado (o Brasil todo, no caso das eleições federais), a probabilidade de uma pessoa estar entre a amostra de entrevistados (em torno de 2000 indivíduos) é muito pequena.

Há vários tipos de pesquisa: as tradicionais quantitativas percentuais; as qualitativas que mostram razões e expressões; os painéis, que analisam um grupo permanente de entrevistados para acompanhar mudanças de opinião; e o tracking, no qual um mesmo cidadão é ouvido diversas vezes, normalmente pelo telefone. As enquetes, ao contrário do que muita gente pensa, não são pesquisas, não têm base cientifica; são uma espécie de “o povo fala”. Nesse caso, são as pessoas que decidem se manifestar, não são procuradas pelo entrevistador como representantes de uma amostra de um universo previamente determinado. Em virtude disso, se o jornalista tiver de usar outra palavra para substituir pesquisa num texto, deve usar sondagem, nunca enquete.

O modelo brasileiro é considerado um “monstro” por estatísticos estrangeiros, segundo José Roberto de Toledo (ex-coordenador de cursos da ABRAJI). A principal diferença são as entrevistas feitas em pontos de fluxo (shopping de luxo, praças, entradas de favelas, tudo de acordo com o público que se quer rastrear). Quando bem feita, essa pesquisa brasileira reflete muito bem a realidade. Nas últimas eleições, as pesquisas de boca de urna superaram a meta de 95% de acerto, chegando aos 96%.

O jogral de sucesso entre Toledo e Fernando Rodrigues (presidente da ABRAJI) terminou com dicas a serem seguidas pelos jornalistas a fim de evitar erros de divulgação. Entre as mais importantes está a necessidade de sempre considerar a margem de erro, se a variação de uma pesquisa a outra foi dentro dessa faixa, evitar verbos como “cresceu”, “saltou”, “despencou”, “desabou” e preferir “foi de tanto para tanto” ou “oscilou dentro da margem de erro”.

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Como interpretar pesquisas eleitorais

Fernando Rodrigues – frodriguesbsb@uol.com.br

José Roberto de Toledo – toledo@abraji.org.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.

Boa reportagem é fruto de muito trabalho e um pouco de sorte

30 jul

Texto: Eduardo S. Nascimento (2º ano ECA-USP) / Foto: Germano Assad

Palestrante Leandro Colon

Palestrante Leandro Colon

Leandro Colon, jornalista responsável pela série de matérias sobre os Atos Secretos do Senado publicadas no Estado de São Paulo, conta que os atos já eram semi-conhecidos no meio jornalístico de Brasília, mas nos 15 anos em que a prática se prolongou não houve provas concretas de sua existência.

Com a crise que sofria o Senado no primeiro semestre de 2009, iniciou-se uma movimentação interna para “lavar” os atos, publicando-os em na rede de computadores interna do Senado como “atos excepcionais”. A grande contribuição das fontes em off, diz Leandro, foi terem-no avisado dessa movimentação.

Outras fontes importantes foram edições passadas dos Diários Oficiais, para checagem – “não adiantava publicar um ato secreto e depois descobrir que não era secreto” -, além de antigas investigações da Polícia Federal sobre nomes encontrados nos Atos.

“Isso não é sorte, é fruto de conhecer as ferramentas do sistema, de ter boas fontes”, diz o repórter. Depois de conseguir cópias dos documentos, afirma que a dificuldade era encontrar personagens conhecidas para deixar aquela informação mais próxima do leitor. A primeira descoberta foi um neto de José Sarney, seguido por outras pessoas próximas ao presidente do Senad0.

Para cobrir um assunto com tamanha relevância, o jornalista se dedicou exclusivamente ao tema durante todo os dias em que foi capa do jornal e diz que para fazer jornalismo desse tipo você tem que abdicar da sua vida por um tempo. É preciso ter certeza dos relatos e, principalmente, “para criticar não é preciso perder o respeito, você precisa de fatos”. Como as denúncias eram graves e contra políticos poderosos, qualquer falha poderia ser fatal para toda a cobertura: “A gente não pode errar, não pode dar nenhum passo em falso”.

Sobre as consequências de suas matérias, afirma que “fica satisfeito em poder contar para as pessoas o que está acontecendo” e que essa foi “a maior crise pela qual o Senado brasileiro já passou”. Depois dela, a Controladoria Geral da União (CGU) iniciou processos contra Sarney.

No dia 31 de julho de 2009, a justiça do Maranhão impediu o Estadão de continuar a cobertura do assunto. Esta censura prévia completou um ano de existência no último dia do 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo.

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Dos atos secretos aos secretos atos de José Sarney

Leandro Colonleandrocolon@gmail.com

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.