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Jornalismo (in)discreto

31 jul

Texto: Lucas Rodrigues (2˚ ano – ECA-USP)

A discussão em torno da utilização de equipamentos como gravadores e câmeras escondidas, e o uso de falsa identidade por parte dos jornalistas, foram os temas da palestra “Métodos heterodoxos de apuração – infiltração e câmera escondida”. No debate, os jornalistas Eduardo Faustini , Luciana Kraemer e Tyndaro Menezes contaram um pouco de suas experiências e levantaram as principais questões sobre o assunto.

A apresentação de Luciana foi voltada para abordagem ética do emprego desses recursos. Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, a maioria das pessoas aprovam as reportagens investigativas, mas não é a favor de infiltração, câmeras escondidas, pagamento de informantes e fontes não identificadas. Para Luciana, o profissional que realiza esse trabalho, ou “é visto de maneira glamourosa, ou é muito criticado”.

A jornalista contou, ainda, que não é de hoje que essas técnicas são utilizadas. “Essa forma de se fazer jornalismo tem 125 anos”. Explicou, porém, que a diferença entre a época de William Thomas Stead, repórter que chegou a “comprar” uma jovem para denunciar um esquema de prostituição infantil, e a nossa era de equipamentos avançados, é apenas em relação à tecnologia.

Para ilustrar alguns conceitos sobre ética jornalística, Luciana apontou a teoria de dois profissionais da área. Caio Túlio Costa acredita que os jornalistas têm uma moral provisória, adaptada para cada situação, ao contrário da antiga definição de Cláudio Abramo, para quem os jornalistas devem ter a ética de qualquer cidadão; já Eugênio Bucci defende a ideia de que os repórteres seguem duas linhas de conduta: a utilitária, em que se pesam os benefícios e prejuízos a partir de determinadas ações, e a deontológica, que, baseada no imperativo categórico kantiano, analisa os fins de cada decisão.  Segundo Luciana, na maioria dos casos “a saída clássica para esses dilemas é o famoso ‘depende’”.

Na prática

Eduardo Faustini e Tyndaro Menezes, ambos jornalistas da TV Globo, defendem a utilização dessas práticas no jornalismo. Para Faustini, o telejornalismo é dependente da imagem, do áudio e do vídeo. “Televisão é visual”, disse. Enfatizou, entretanto, que mesmo assim, o uso desses métodos deve ser feito de modo responsável e com um objetivo, pois uma reportagem pode, mesmo que momentaneamente, melhorar uma situação. “A diferença do jornalismo investigativo é que investigamos para informar”, afirmou.

Faustini contou, também, o caso em que gravou clandestinamente dentro de uma base aérea na Bahia, para mostrar a destruição de alguns documentos sobre presos políticos da ditadura militar. Nesse episódio, optou por utilizar o tão controverso procedimento, mesmo com os incômodos da baixa resolução da imagem e dos possíveis processos que poderia receber, mas tudo em função do interesse público do fato. Para isso, atentou que é preciso avaliar a “necessidade de usar o equipamento no momento certo”.

De acordo com Tyndaro Menezes, no jornalismo você raramente está no acontecimento. E meios como a câmera escondida permitem vivenciar esses momentos. Para ele, algumas situações demandam o uso dessas técnicas, pois, de outra forma, seriam histórias impossíveis de se contar. Disse, porém, que a utilização de microcâmeras, por exemplo, deve ser o último recurso de qualquer reportagem.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Métodos heterodoxos de apuração – infiltração e câmera escondida

Eduardo Faustini faustini@tvglobo.com.br

Tyndaro Menezes tyndaro@tvglobo.com.br

Luciana Kraemerlukraemer@terra.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Jornalismo investigativo abre mão do glamour da TV

31 jul

Texto: Ana Krepp (3˚ ano – Mackenzie) e Mariana Queen (2˚ ano – ECA-USP)

A presença de palco de Eduardo Faustini e de seu colega de Rede Globo, Tyndaro Menezes, dominou a cena e fez a sala 714 pequena para as histórias de reportagens investigativas protagonizadas pelos dois ao longo de seus mais de quinze anos de atuação nessa área. “Ideal seria o auditório”, deixou escapar uma moça ao final da palestra. Seria mesmo.

As emissoras investem na segurança dos jornalistas, disponibilizam carro blindado, colete à prova de balas e tudo o que é necessário para garantir a vida de seus profissionais. Mas no dia 2 de junho de 2002 todo esse aparato não foi suficiente para salvar o jornalista Tim Lopes de uma morte trágica que mudou os rumos do jornalismo investigativo.

Na presença do filho de Tim Lopes, o também jornalista Bruno Nascimento, Faustini e Menezes lembraram emocionados a comoção pela morte do companheiro, o reconhecimento do trabalho de investigação pelos telespectadores e o movimento de união da imprensa que resultou no surgimento da ABRAJI: “Quando todo mundo achou que com a morte do Tim ia acabar o jornalismo investigativo, aconteceu o contrário: surgiu a ABRAJI, uma associação forte e inédita de jornalismo investigativo no Brasil”.

Os moldes da reportagem para TV sempre tiveram ares glamourosos, mas esse glamour não chega aos repórteres investigativos, que têm de esconder suas identidades ao ponto de não poderem comparecer a confraternizações e muito menos a premiações que reconhecem seus méritos.

Os jornalistas que optam por essa área em geral são homens; muitas mulheres não se arriscam às exposições e perigos diários. Faustini e Menezes arriscam não só a própria vida, mas também as de seus familiares, que já chegaram a receber ameaças de pessoas que foram denunciadas em reportagens investigativas.

E pra quem acha que o jornalismo investigativo está logo na esquina saindo da faculdade, Faustini dá a dica: “o jornalismo investigativo tem que estar no sangue, tem que te dar tesão pra você aprender na rua, porque a faculdade não forma um jornalista investigativo, forma apenas um jornalista”.

Filho de Tim Lopes emociona jornalistas e marca palestra com momento histórico

Bruno Lopes participa da palestra

Bruno Lopes participa da palestra

Em um momento emocionante, o público pôde testemunhar o encontro de Bruno Quintela do Nascimento (TV Globo), filho de Tim Lopes, com os palestrantes da mesa Investigação em TV, seus parceiros de emissora,
Eduardo Faustino e Tyndaro  Menezes.

Na hora do encontro, Faustino se retirou da sala por não conter as lágrimas. Não era para menos: o jornalista trabalhou ao lado de Tim Lopes durante 10 anos. Ele destacou a importância do profissional para a criação da ABRAJI e para o  reconhecimento do  jornalismo investigativo no Brasil.

Bruno Nascimento deixou ao público uma mensagem sobre o uso das micro-câmeras, destacando que a habilidade para saber usá-las começa nas simples conversas e abordagens que fazemos com as pessoas no dia-a-dia. Ele trabalha há 6 anos na TV Globo atuando na área consagrada pelo pai. Sobre a responsabilidade (ou peso) de ser filho de Tim Lopes, Bruno conta que onde trabalha poucos sabem de seu parentesco ou não fazem essa ligação. “Não uso o sobrenome Lopes, as pessoas não associam, além de que meu pai tinha o jeito dele de trabalhar e eu tenho o meu. Queria muito ter tido a chance de trocar uma idéia com ele sobre a nossa profissão”, conta.

Pela primeira vez no Congresso, o jornalista também mencionou a grandiosidade do evento organizado pela ABRAJI e, quando questionado, confessou que gostaria de fazer uma palestra em outra edição falando sobre suas experiências. “Seria uma honra, mas ainda tenho muito que aprender”, completa.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Investigação em TV

Eduardo Faustini – faustini@tvglobo.com.br

Tyndaro Menezes

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.