Copa, mundo e África

30 jul

Texto: Mariana Queen (2° ano – ECA-USP) / Foto: Germano Assad

 

Palestrante Fábio Zanini

Palestrante Fábio Zanini

 

Para quem nunca tinha feito uma cobertura de Copa do Mundo, Fábio Zanini (Folha de S. Paulo) passou por situações muito específicas na primeira Copa feita num país pobre. O jornalista contou o que viveu na Copa da África que, segundo seus relatos, foi mais um desafio do que uma simples celebração mundial.

Mostrando que a cobertura de grandes eventos esportivos  vai além dos jogos ao destacar a política, cultura e escândalos do país sede, Zanini falou ao público detalhes dos bastidores da Copa, as complexidades de um país como a África do Sul e as perspectivas para a Copa no Brasil, em 2014.

O palestrante, particularmente interessado no continente africano, contou curiosidades da cultura local que só quem viveu de perto saberia traduzir. “O slogan ‘África do Sul – nação arco-íris’ não funciona na prática”, comenta Zanini sobre a difícil integração entre negros e brancos mesmo depois de 16 anos do fim do apartheid.  Mas, segundo o jornalista, num país onde a maioria dos negros pratica futebol enquanto os brancos preferem o Rugbi, a Copa do mundo traz mudanças.

Zanini fez muitas comparações entre a África do Sul e o Brasil. Destacou que a imprensa daquele país é frágil comparada à do Brasil; mencionou as diferenças continentais dos dois países e a influência disso na distribuição dos jogos em uma Copa, além de  elogiar  os 10 estádios sul-africanos  como  os melhores que já viu na vida e dizer que, por isso, o Brasil  terá que fazer estádios iguais ou até melhores.

Sobre as relações da FIFA com o país africano, Zanini deu um panorama negativo dizendo que a Federação se “esqueceu” que aquela Copa acontecia  em um país pobre. Dessa forma, vendeu muitos ingressos a preços caros para os africanos. 4.100 africanos contra 9.100 estrangeiros por jogo foi o placar revelado por Zanini  das torcidas nos estádios, no que ele chamou de  Copa fria, devido ao clima do inverno.  O frio fez com que as pessoas deixassem as ruas às moscas nos dias de jogo.

O público aproveitou para saber quais são as apostas de Zanini para a Copa no Brasil. Muitos dos presentes citaram a situação de seus próprios estados em meio aos preparativos, confirmando o que o jornalista disse sobre a necessidade de o Brasil correr contra o tempo nas construções dos estádios.  Foram citados estados como São Paulo, Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.

Amigos e fãs

Os jornalistas Evandro Spinelli e Bruno Garcez também estavam na plateia e puderam contribuir para o debate com suas próprias experiências. “Sou fã e amigo do Fábio. Ele  é um conhecedor  do continente. O trabalho que ele fez é único”, disse Garcez depois da palestra.  “Impressionante a  intervenção das pessoas com perguntas muito inteligentes”, completou destacando a interação que um público composto por  pessoas  de diferentes lugares do Brasil trouxe para as palestras e para o Congresso em si. “O Congresso é um  grande painel  do jornalismo, possibilita o contato entre diferentes pessoas”.

Clique no nome da palestra para fazer o download da apresentação, e no nome do(s) palestrante(s) para visualizar o(s) currículo(s):

Efeito Copa: o antes e o depois na história do continente africano

Fábio Zanini – fabiozanini@grupofolha.com.br

Confira também o blog: penaafrica.folha.blog.uol.com.br

O 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo é uma realização da Abraji e da Universidade Anhembi Morumbi, com o patrocínio de Claro e Tetrapak, o apoio do Centro Cultural da Espanha em São Paulo, do Knight Center for Journalism in the Americas, do Open Society Institute, da Ogilvy, do Consulado Geral dos Estados Unidos em São Paulo e a parceria do Fórum de Acesso a Informações Públicas, do Centre for Investigative Journalism , da UNESCO e da OBORÉ.
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Uma resposta to “Copa, mundo e África”

  1. renandocouto agosto 1, 2010 às 6:21 pm #

    A palestra do Zanini foi muito boa. Não acompanhei o trabalho dele durante os 6 meses, mas gostei do que ele apresentou na palestra. O interessante é que ele não é jornalista esportivo, talvez por isso tenha olhado de forma diferente para a situação, mais distanciada.

    Ele está de parabéns.

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